A eleição para o Governo de São Paulo em 2026 já começou nos bastidores. E, neste momento, mais importante do que as pesquisas é entender como os grupos políticos estão se reorganizando para sobreviver, ampliar espaço e chegar fortes não apenas para 2026, mas também para 2030.
Hoje, Tarcísio de Freitas entra como favorito natural à reeleição. O governador consolidou sua permanência no estado e trabalha para manter uma ampla coalizão política, especialmente após o avanço das conversas envolvendo o MDB na composição da chapa.
Mas a principal movimentação política talvez esteja justamente fora do campo eleitoral direto: o esfriamento da relação entre Tarcísio e Gilberto Kassab.
Kassab continua sendo uma das figuras mais influentes da política brasileira, mas o PSD já demonstra sinais de recalibragem estratégica. Não há rompimento, mas existe uma tentativa clara de preservar autonomia e evitar dependência total de um único projeto político.
Na prática, o PSD começa a olhar além de 2026.
Do outro lado, Fernando Haddad vive um cenário complexo. Ele pode entrar na disputa atrás nas pesquisas, carregando o desgaste natural da economia e da função de ministro da Fazenda, mas ainda assim permanece como o nome mais competitivo do campo progressista paulista.
Isso porque Haddad representa mais do que uma simples candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Sua presença na disputa ajuda a reorganizar a esquerda, fortalecer chapas proporcionais, puxar bancada e consolidar um bloco de oposição robusto no maior colégio eleitoral do país.
Mesmo enfrentando resistência em parte do eleitorado paulista, Haddad segue sendo o principal rosto político de quem não deseja a continuidade do projeto liderado por Tarcísio.
A discussão sobre os vices também revela muito sobre o momento político. Tanto governo quanto oposição buscam nomes capazes de ampliar diálogo, reduzir rejeição e fortalecer alianças regionais e partidárias.
No fundo, São Paulo caminha para uma eleição menos emocional e mais pragmática. Uma disputa baseada em estrutura, coalizão e capacidade de articulação.
Porque, no maior estado do país, vencer a eleição é importante. Mas construir a aliança capaz de sustentar o poder nos próximos anos talvez seja ainda mais decisivo.
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