De 14 a 20 de março, comemora-se a Semana do Consumidor, data que vem gerando muitos resultados positivos para o varejo, em especial às empresas que incorporaram as transformações digitais. Para além da data, é importante refletir sobre os ganhos do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que entrou em vigor em 1991, e é considerada uma das mais avançadas legislações de proteção ao consumo do mundo.
Segundo Clovis Ely Bianchi Ferratoni, coordenador do Tecnólogo em Gestão Comercial do Centro Universitário Senac, não é suficiente ter uma lei moderna se ela não é integralmente aplicada em toda a cadeia de negócios. “Apesar de termos evoluído muito em vários indicadores, algumas organizações de setores regularizados insistem em práticas contrárias ao Código de Defesa do Consumidor. E há ainda a economia informal que, por vezes, deixa de seguir os passos corretos”, esclarece o coordenador.
A Semana do Consumidor deve ser sinônimo do estímulo às boas práticas comerciais e muitas organizações têm conseguido bom relacionamento com os consumidores. Do ponto de vista do empresariado, é possível aproveitar a Semana do Consumidor para renovar as estratégias de marketing e de vendas.
“Certa vez ouvi de um colega coordenador que antes de pensarmos fora da caixa, precisaríamos resolver o que há dentro dela. Fica então a dica então de tentarmos fazer o básico com maestria: expor o produto de forma atrativa, precificá-lo de forma coerente, tratar impecavelmente o consumidor, fazer uma liderança servidora entre nossos pares, trabalhar segundo as normas legais e promover o bem-estar da sociedade. O retorno certamente virá”, explica Clovis.
Sobre os desafios que se põem à frente: aprimoramento do comércio eletrônico pela complexidade do setor, pois associa Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), Economia, Finanças, Marketing, Logística e Direito; atualização das instituições de ensino com aplicação de pesquisas para entender e aprender a lidar com a mudança do novo consumidor nos mais variados cursos. Um exemplo sobre como funciona a tratativa em relação ao novo consumidor é a atenção do gestor comercial para a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) porque se a lei não for colocada em prática, a organização pode ser exposta um passivo significativo.
Dicas para não cair em golpes/fraudes
Ocasiões que aumentam a compra podem facilitar possíveis golpes, principalmente no ambiente da internet. As dicas para evitar problemas aos consumidores, segundo o especialista, passam por:
– Desconfiar sempre de superofertas e vantagens acima do normal. Lembre-se: estamos num momento de restrições, inclusive externas, e ninguém faz milagre;
– Levantar referências da organização com quem está fazendo negócios. Use a internet, consulte fóruns, sites especializados, grupos e amigos acerca da sua reputação;
– Comprar de forma consciente, avaliando se realmente precisa do produto e/ou serviço, naquele momento;
– Organizar: a melhor organização é aquela que quer atender a sua necessidade e desejo de forma responsável para ter você sempre ao lado dela;
– Felicidade dentro do orçamento: a compra mais legal do mundo é aquela que te deixa feliz. Mas, não comprometa o seu orçamento além do necessário.
Gestor Comercial, o profissional
Dado o contexto, emerge a figura do gestor comercial, profissional responsável por aumentar a qualidade dos resultados, potencializando números e vendas, alavancando a competitividade empresarial. O gestor comercial atua em projetos, análise mercadológica, experiência e relacionamento com o cliente, novos negócios.
“A grande questão que se impõe aos gestores comerciais é como se preparar para as crises, ou seja, quais os processos organizacionais (fluxos de trabalho) que precisam ser colocados em prática para que gerem a sinalização necessária para a tomada de decisão da alta administração a tempo de responder, de modo eficaz, a elas, o que envolve recursos de toda a natureza, como instalações, máquinas, equipamentos, softwares, capital, e pessoas que precisam ser constantemente capacitadas”, afirma Clovis.
Para o coordenador, desemprego e inflação são, na maioria das vezes, efeitos, e não a causa de problemas e as empresas precisam focar nas práticas reais da gestão dos negócios. “Em outras palavras, uma organização bem estruturada do ponto de vista de processos, com um time bem-preparado, seguramente vai passar pelas crises de maneira muito mais satisfatória e vai precisar, cada vez mais, desse perfil profissional’, finaliza.




