A ampliação no orçamento acompanha outro crescimento registrado no ano passado. Em 2021, um total de 42.212 mulheres foram atendidas nos 17 serviços que compõem a rede de proteção às mulheres vítimas de violência da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). O número representa um aumento de 75% em relação ao total de atendimentos realizados em 2020. Os dados foram totalizados pelo corpo técnico da pasta.
Se 2020 ficou marcado pelos impactos da Covid-19, em 2021 essas consequências continuaram a ser enfrentadas, mas com o reforço de uma extensa campanha de vacinação e políticas de distanciamento social mais brandas. É possível ver a efetividade dessas medidas: em maio, considerado um dos meses mais letais da pandemia no Brasil, o número de atendimentos teve um crescimento de 39% em relação ao mês anterior, chegando a 3871.
A elevação considerável na procura pelos serviços tem dois motivos, segundo técnicas da Secretaria que se dedicam a esta rede de proteção. O primeiro é o impacto do fim das restrições de circulação que resulta na maior procura pelos serviços se comparado ao ano anterior, que teve maiores restrições por conta das recomendações de distanciamento social em função da Covid-19. O outro fator deriva da conscientização das mulheres de que é preciso buscar ajuda em situações de violência doméstica e relacionamentos abusivos.
A informação é uma forma eficaz de proteger a mulher contra a violência, sobretudo a violência doméstica, quando fatores emocionais dificultam muitas vezes o discernimento do que é ou não um ato abusivo.
Perfil da vítima
Em agosto de 2021, a SMDHC revelou um estudo sobre o perfil das mulheres vítimas de violência durante a pandemia na capital paulista, que buscaram atendimento nos serviços da pasta. O estudo identifica que as principais caraterísticas são: branca, de 30 a 49 anos, solteira, heterossexual, formação escolar igual ou superior ao ensino médio e com rendimento de um a dois salários-mínimos.