A busca por alternativas eficazes para a reintegração social de detentos encontra no trabalho industrial um pilar fundamental. Em uma iniciativa que une gestão pública e iniciativa privada, a Penitenciária II (PII) “Luiz Gonzaga Vieira”, em Pirajuí, mantém uma operação de larga escala voltada à fabricação de calçados de segurança. A parceria, firmada com a empresa Bracol por meio da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap), transforma a rotina de centenas de pessoas privadas de liberdade, oferecendo qualificação e perspectiva de futuro.
Estrutura industrial e capacidade produtiva
Instalada em uma área de 1.104 metros quadrados dentro da unidade prisional, a oficina opera em capacidade máxima. Atualmente, 190 reeducandos dedicam-se diariamente à linha de montagem, resultando em uma média de 6 mil pares de calçados produzidos por dia. O projeto demonstra um potencial de crescimento, com projeções que apontam para a possibilidade de elevar a produção a 7 mil pares diários, atendendo a uma base de aproximadamente 2.300 clientes externos.
O fluxo logístico é rigorosamente controlado: após a finalização do processo produtivo, os itens são armazenados em contêineres na área externa do presídio, de onde a empresa parceira realiza a coleta, o transporte e a distribuição dos produtos. A operação não se limita à PII de Pirajuí; a Bracol mantém uma unidade similar na Penitenciária I “Dr. Walter Faria Pereira de Queiróz”, também em Pirajuí, onde outros 83 detentos atuam no mesmo segmento.
Critérios de seleção e benefícios trabalhistas
O acesso às vagas não é aleatório. Os interessados passam por um processo seletivo que inclui entrevista individual, análise de experiência profissional prévia e, crucialmente, avaliação do comportamento disciplinar dentro da unidade. Uma vez selecionados, os trabalhadores passam por um período de treinamento técnico antes de assumirem suas funções na linha de montagem.
O regime de trabalho segue as diretrizes da Funap, garantindo ao reeducando o pagamento de ¾ do salário mínimo. Além da remuneração, o sistema oferece o benefício da remição de pena: a cada três dias de trabalho efetivo, um dia é subtraído da condenação total. Esse mecanismo atua como um incentivo direto à disciplina e ao engajamento com as atividades laborais.
Impacto na ressocialização e dignidade
Para os envolvidos, a experiência vai além do ganho financeiro. O trabalho é visto como uma ferramenta de reconstrução da dignidade. Relatos de internos apontam para a aquisição de responsabilidades, o aprendizado na operação de máquinas e a sensação de serem tratados como colaboradores, o que altera a percepção sobre o próprio futuro. Segundo Paulo Henrique Coltre, Superintendente da Funap, a parceria é uma conquista estratégica para oferecer capacitação e renda, contribuindo para uma sociedade mais produtiva.
O Chefe de Departamento da Penitenciária II de Pirajuí, Cleuber Ferreira Mantovanini Junior, reforça que a atividade promove a disciplina necessária para o retorno ao convívio social. Ao aprender um ofício em uma empresa de referência nacional, o detento prepara-se para enfrentar o mercado de trabalho após o cumprimento da pena, reduzindo as chances de reincidência criminal. A iniciativa, detalhada pela Agência SP, serve como modelo de como o setor privado pode colaborar com o sistema prisional.
Continue acompanhando o Fato Paulista para mais reportagens sobre políticas públicas, ressocialização e os principais acontecimentos que impactam a sociedade brasileira. Nosso compromisso é levar até você informação de qualidade, com profundidade e seriedade.



