Prévia da inflação acelera e atinge 0,70% em setembro pressionada pela energia

PUBLICIDADE
A prévia da inflação (IPCA-15) subiu 0,70% em setembro, puxada pelo fim do bônus na conta de luz e alta nas passagens aéreas.
Prévia da inflação acelera e atinge 0,70% em setembro pressionada pela energia
PUBLICIDADE

A inflação brasileira voltou a acelerar em setembro, interrompendo o ciclo de alívio observado no mês anterior. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação oficial registrou alta de 0,70%. O resultado representa a maior variação mensal desde abril, quando o índice atingiu 0,89%, e marca uma reversão significativa em relação à deflação de -0,40% observada em agosto.

O impacto do fim do bônus de Itaipu na conta de luz

O principal motor para essa aceleração foi o grupo de Habitação, que registrou alta de 2,07%. Este movimento foi impulsionado quase inteiramente pela energia elétrica residencial, que sofreu um reajuste de 7,42% no período. O salto nos preços reflete, na prática, a ausência do chamado Bônus de Itaipu, um benefício que havia reduzido artificialmente as contas de luz no mês de agosto.

Como o desconto deixou de ser aplicado, a comparação entre os dois meses gerou um efeito estatístico de alta. Esse cenário já era antecipado por analistas e pelo próprio IBGE, que alertavam para a natureza temporária da queda anterior. O impacto individual da energia elétrica no índice foi de 0,29 ponto percentual, sendo o item que mais pesou no bolso do consumidor neste mês.

Oscilações no transporte e na mesa do brasileiro

Além da habitação, o grupo de Transportes também contribuiu para a pressão inflacionária, com alta de 0,60%. O destaque negativo ficou por conta das passagens aéreas, que registraram um aumento expressivo de 9,82%. No setor de combustíveis, o cenário foi misto: enquanto a gasolina subiu 0,30% e o gás veicular avançou 1,56%, o óleo diesel e o etanol apresentaram quedas de 0,78% e 0,22%, respectivamente.

No setor de alimentação e bebidas, houve uma mudança de comportamento em relação ao mês anterior. Após registrar deflação de -0,97% em agosto, a alimentação no domicílio voltou a subir, com alta de 0,38%. O tomate foi o vilão da cesta básica, disparando 20,76%, seguido pelo arroz (2,39%) e pelas carnes (1,30%). Em contrapartida, itens como o feijão carioca, a cebola e o café moído ajudaram a segurar uma alta maior, apresentando recuos nos preços.

Contexto econômico e projeções para o ano

Com o resultado de setembro, o IPCA-15 acumula uma alta de 4,47% nos últimos 12 meses, superando os 4,24% registrados em agosto. No acumulado de 2026, a inflação soma 3,82%. O índice, que serve como um termômetro para a política monetária, mantém-se sob monitoramento constante do Banco Central, que busca manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo governo.

A metodologia do IPCA-15, que coleta preços entre os dias 15 de agosto e 15 de setembro, serve como uma prévia confiável para o IPCA cheio, cuja divulgação está prevista para o dia 9 de outubro. Embora o mercado financeiro, conforme o boletim Focus, esperasse uma alta menor, na casa dos 0,52%, a realidade dos preços captada pelo IBGE mostra que a pressão sobre o custo de vida ainda exige atenção.

Para acompanhar os desdobramentos da economia nacional e entender como os indicadores impactam o seu dia a dia, continue lendo o Fato Paulista. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística precisa, contextualizada e sempre atualizada sobre os temas que movem o Brasil.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário