Tanto o ovo como a banha foram rejeitados durante anos pela comunidade médica. Hoje, porém não é isso o que acontece, ambos são considerados “saudáveis”, chegando à banha de porco ser avaliada como muito melhor que o tradicional óleo de cozinha.
O que aconteceu?
Qual a mudança na avaliação destes alimentos?
Estas e outras perguntas permeiam as dúvidas de muitos de nós, quanto a este tema, o Fato Paulista online ouviu a nutricionista dra. Amanda Oliveira que promove diversos trabalhos voluntários, todos com foco na chamada nutrição social.
“O ovo durante muito tempo foi estigmatizado devido ao alto teor de gordura e colesterol. Entretanto, estudos comprovaram que não há diferença no risco relativo de doenças cardiovasculares entre indivíduos que consomem menos de um ovo por semana e indivíduos que consomem mais de um ovo por dia”, explica.
A nutricionista afirma ainda que ‘além disso, de 20 a 30% do colesterol sérico (do sangue) vem da alimentação, sendo o restante proveniente da síntese do próprio organismo’.
Ressalta que o consumo de gorduras saturadas e trans é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, pois eleva o colesterol ruim (LDL) e reduze o colesterol bom (HDL).
A dra. Amanda Oliveira afirma que atualmente o ovo passou a ser considerado um alimento funcional, ou seja, que contém substâncias que beneficiam a saúde.
O ovo é rico em proteína (albumina), uma proteína de alto valor biológico, presente na clara, podendo ser substituto das carnes, frango e peixe na alimentação, rico também em vitaminas (colina, ácido fólico, riboflavina, vitaminas A, K, E, B6, B 12).
“A colina presente na gema, por exemplo, contribui para o processo de memória do cérebro’, informa.
E quem diria hein, o ovo tão criticado anos atrás, também contém muitos minerais como: zinco, cálcio, selênio, fósforo e ferro. “O zinco e o selênio são importantes antioxidantes que contribuem para evitar o acúmulo de radicais livres no nosso organismo”, comenta, completando todo o valor nutricional do ‘bom e velho ovo’.
Vale destacar que a atuação social da dra. Amanda Oliveira proporciona a ela conviver com diversas realidades dos mais diversos segmentos societários, incluindo ainda comunidades indígenas e de imigrantes. Tudo isso através da Acaapesp – Associação dos Consultores, Assessores e Articuladores Políticos do Estado de São Paulo onde ela ocupa o cargo de diretora do Departamento de Nutrição. A Acaapesp é considerada uma das maiores entidades classistas do Brasil com sedes regionais em mais de 100 municípios.
Também considerada uma ‘malfeitora do organismo’ a banha de porco também mudou de conceito.
“Até pouco tempo atrás, o consumo da banha de porco era considerado ruim para o organismo. O argumento é que seu uso causaria danos ao coração. Porém, novas pesquisas comprovaram que, Sim! Você pode usá-la na culinária desde que seja com moderação”, comemora.
A nutricionista informa que a banha de porco possui muitos nutrientes, é livre de gorduras trans que está presente na grande maioria das gorduras vegetais.
“Ela dá um toque todo especial na preparação dos pratos, porém, é preciso lembrar que seu uso deve ser moderado, como qualquer gordura que utilizamos na cozinha”, comenta, mas alerta ser necessário manter o ‘equilíbrio’ na hora de usar a banha de porco. “Isso é o primordial”, completa
A banha de porco não libera compostos tóxicos quando cozida em altas temperaturas.
“O fato de acentuar os sabores dos alimentos faz com que seja a queridinha de muitos cozinheiros. Melhor ainda quando ela tem o acompanhamento de temperos como louro, alecrim e alho”, finaliza.