A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, uma ação de grande envergadura que mira suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os principais alvos está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que teve sua residência alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que projetos financiados pelo parlamentar não tiveram a execução comprovada pelos órgãos de controle.
Irregularidades na execução de projetos sociais
No centro das apurações está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que recebeu R$ 2 milhões em emendas indicadas por Frias. Um dos projetos, intitulado Jovem Empreendedor, recebeu R$ 1 milhão sob a promessa de capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes em Pirassununga, no interior de São Paulo. Contudo, a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que as metas não foram atingidas, levando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a rejeitar a prestação de contas.
Outra iniciativa, o projeto Lutando pela Vida, também recebeu R$ 1 milhão. Embora tenham sido identificados indícios de atividades esportivas, a CGU considerou as evidências insuficientes para comprovar a execução integral do objeto pactuado. O órgão apontou falhas graves na comprovação de entrega de materiais e na prestação de serviços que deveriam ter sido custeados pela verba pública.
Conexões entre emendas e produção cinematográfica
A investigação da Polícia Federal busca rastrear uma possível cadeia de transferências que ligaria os recursos das emendas à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora do longa, Karina Gama, também preside o ICB. Documentos analisados indicam que, no início de 2025, R$ 700 mil do ICB foram repassados a empresas ligadas ao empresário Heric Dias. Meses depois, uma dessas empresas teria transferido R$ 750 mil para a produtora do filme.
Além disso, a PF identificou uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio Mario Frias, com recursos de sua conta pessoal, para a produtora do filme. Os investigadores questionam a compatibilidade desses valores com os rendimentos declarados pelo deputado, cujo salário mensal é de R$ 44.008,52. A movimentação financeira da produtora Go Up Entertainment, que atingiu cerca de R$ 19 milhões em novembro do ano passado, também está sob escrutínio.
Defesa e desdobramentos judiciais
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Mario Frias classificou a operação como uma “cortina de fumaça” em ano eleitoral. O parlamentar argumentou que emendas parlamentares não passam por suas mãos e que a fiscalização da execução cabe aos órgãos executores. “Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação”, afirmou. Frias, contudo, não comentou especificamente a transferência de quase R$ 650 mil de sua conta pessoal para a produtora do filme.
Como medida cautelar, o ministro Flávio Dino proibiu o deputado de deixar o país e determinou que ele não mantenha contato com outros investigados. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. O portal Agência Brasil segue acompanhando os desdobramentos deste inquérito, que coloca em xeque a gestão de verbas públicas destinadas a projetos sociais.
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