Segundo dados da Secretaria da Educação de São Paulo, nos dois primeiros meses de aula deste ano, foram registrados 4.021 casos de agressões físicas nas unidades estaduais, 48,5 por cento a mais que nos mesmos períodos de 2019, último ano que os alunos frequentaram as aulas presenciais todo os dias.
Casos de violência com armas de fogo chegaram a acontecer por diversas vezes nos Estados Unidos e ainda tem acontecido, já no Brasil o caso mais recente e que chocou o mundo aconteceu em 2019 na Escola Estadual Professor Raul Brasil, quando dois ex-alunos adentraram atirando e vitimando cinco estudantes e duas funcionárias da escola. O caso ganhou projeção mundial como o Massacre de Suzano.
Muitas vezes ameaças podem não passar de uma mera brincadeira juvenil, mas quem paga para ver? Agora até mesmo escolas particulares tem sido palco deste problema que leva não somente pais, mas professores e familiares a um grande temor.
Em Itaquera, uma das instituições de ensino mais tradicionais do bairro está passando por este problema também. Duas mães de alunos do Colégio Itaquera procuraram a equipe do jornal a fim de relatar o que tem acontecido nos últimos dias.
As mães que preferiram resguardar a identidade relataram que o episódio tem levado medo aos pais e aos próprios alunos. O fato que desencadeou todo o temor foi a palavra ‘Massacre’ que foi pichada por duas vezes na porta dos banheiros desta escola.
‘Aconteceu na quarta feira passada pela manhã no horário do intervalo. Alguém escreveu Massacre no banheiro por volta de 9 e 10 horas da manhã. A escola somente se posicionou após as 18h00 através de um comunicado. Temos um grupo de mães no whatsapp e o desespero e medo tomou conta de todas nós’, comenta uma das mães que procurou o Fato Paulista.
Ela destaca que no começo achou ser uma brincadeira de mal gosto, mas mesmo assim decidiu não levar os filhos no dia seguinte, mas para surpresa, mais uma vez neste dia a palavra Massacre foi pichada e com a data de 13 de maio, que seria na sexta feira. ‘Aí o pânico tomou conta de todas as mães. Uma situação dessas gera muito desespero’, comentou a mãe que tem os filhos no Colégio Itaquera há mais de 5 anos.
‘A escola divulgou uma nota aos pais. Uma mãe conseguiu falar com a coordenadora, que informou que o caso foi encaminhado para a Polícia. Quero deixar claro que minha intenção não é de expor o Colégio Itaquera, mas sim de criar um alerta quanto a estes casos de violência entre adolescentes. É preocupante’, completou a mãe que fez questão de destacar que hoje adolescentes vivem um mundo virtual, sem interação com outros jovens, o que pode desencadear muitos problemas e ‘ondas do mal’ como foi o caso da ‘baleia azul’, que chegou a levar muitos adolescentes ao suicídio.
Outra mãe, que também preferiu não se identificar, elogia muita a escola e disse que tem um filho que está há mais de 7 anos no Colégio Itaquera. ‘Minha relação sempre foi muito boa com toda a equipe do Colégio, não tenho do que reclamar, somente este caso agora levou nós mães a muita preocupação. Temos muito medo’, exclama. Ela confirma que de fato houveram as duas pichações e que o seu filho achou que se tratava de uma brincadeira. Disse também que a escola levou o caso para ser apurado pela Polícia. ‘Creio que seja complicado a Policia apurar isso, já que está acontecendo em outras escolas também’, destacou.
Resposta Colégio Itaquera
Prezada Ligia, bom dia! Falo em nome do Colégio Itaquera.
Agradecemos seu contato e a oportunidade de manifestação nesse assunto tão importante para todas as pessoas.
Conforme tem sido bastante noticiado, inclusive por nota do Governo no Estado, circulam entre diversas escolas públicas e particulares boatos e publicações anônimas sobre “massacres”.
A equipe do Colégio Itaquera está atenta e vigilante a esse comportamento nocivo, que tem o objetivo de tumultuar a desestabilizar as instituições de ensino.
Para combater a prática e evitar a insegurança na comunidade escolar, foi realizada roda de conversa reflexiva com os alunos e foram prestados esclarecimentos aos pais.
Por cautela, foram reorganizadas as rotinas de trabalho e intensificadas a vigilância e monitoria.
A escola mantém contato com a autoridade policial para prevenção de qualquer ocorrência, e permanece atenta a qualquer movimentação suspeita na região.
Entendemos que essa conduta de jovens inconsequentes deve ser combatida especialmente pelo diálogo, por isso enfatizamos um relacionamento ético e transparente junto às famílias.
Se for identificado algum envolvimento de alunos com pichações e notícias ameaçadoras serão aplicadas as sanções disciplinares e legais cabíveis, sempre enfocando os objetivos sócio-educativos para correção de comportamento e busca da harmonia social.
Esperamos ter auxiliado e nos colocamos à disposição. Celio Muller – Advogado – OAB/SP 127.229