O sonho da casa própria virou pesadelo em Itaquera

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Dezenas de famílias procuraram a equipe do jornal Fato Paulista a fim de denunciarem o atraso na entrega das chaves do empreendimento Viva Smart em Itaquera, localizado na rua Ianeji Matsubayashi, 1287.
casa própria
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Com mais de 500 unidades, a obra faz arte de um projeto ambicioso da Construtora Casa 8, que com a ocupação total deve abrigar uma população estimada em cerca de 2 mil moradores, claramente, representando a fomentação do comércio da região, mas também causando impactos no já caótico trânsito local. Por fim um condomínio moderno, com comodidades e lazer completo, além da segurança e uma locação privilegiada com acesso facilitado ao ABC, Baixada Santista, Porto e Aeroporto. Tudo isso seria um sonho muito perto da realidade, se não fossem o atraso da entrega das obras e a suposta falta do termo de “habite-se” por parte da Prefeitura segundo denunciou um dos proprietários.

Abaixo vamos publicar os dramáticos relatos de mães e pais de família, que acreditaram no sonho da casa própria e agora se veem em um lamaçal de incompetência que beira com a falta de respeito para com o semelhante. “Brincaram com o nosso sonho, estão zombando das nossas famílias” indigna-se um dos compradores do Viva Smart Itaquera.

No sábado 11 de julho, um grupo de moradores promoveu uma manifestação pacífica em frente ao futuro condomínio, como forma de alertar as autoridades municipais e de Defesa do Consumidor sobre o que está ocorrendo. Segundo os organizadores da manifestação a Casa 8 Construtora foi comunicada sobre a manifestação, mas mesmo assim não enviou um representante para conversar com os proprietários.

“Transparência, respeito e respostas concretas” estes foram as principais reivindicações dos manifestantes.

Entre os depoimentos dos proprietários existem casos dramáticos como o da mãe de família que entregou o imóvel onde morava de aluguel na certeza que iria para o seu apartamento próprio, hoje mora de favor. Há casos de quem teve crises de ansiedade e teve que recorrer a calmantes devido a tamanha frustração. Muito mais do que se imagina, o caso não é um atraso nas obras, mas a falta de respeito para com o sonho de pessoas que pagaram, enfrentou dificuldades financeiras, tudo para honrar seus compromissos, aliás, que não foram o reflexo da construtora.

 “Eu acreditei desde o começo no prazo do contrato. Confiando que receberia as chaves na data prometida, cheguei a enviar um e-mail para a imobiliária informando que devolveria o apartamento onde moro de aluguel”, lamenta Elisangela Zampoli de Lima, que nitidamente triste completa: “Nossa vida virou de cabeça para baixo. Hoje sigo aguardando, sem uma data concreta para finalmente receber o apartamento”

Com apenas 28 anos de vida, mãe de duas meninas, uma de 10 anos e outra de 8, Natasha Motta de Souza, aprendeu o que é decepção com a aquisição de uma unidade no Viva Smart Itaquera. “A promessa era de que as chaves seriam entregues em fevereiro. Fui até a Caixa para assinar o contrato e, quando recebi a planilha, me deparei com parcelas de evolução de obra superiores a R$ 2 mil. Mesmo sendo um valor muito alto, me organizei para conseguir pagar. Entreguei o imóvel alugado onde morava e fui morar na casa da minha sogra, acreditando que logo estaria no meu apartamento”, informou. Em fevereiro veio mais uma decepção, de que a obra seria entregue em abril. “Continuo pagando a evolução de obra de um imóvel que está pronto, sem receber as chaves e sem qualquer previsão concreta. Não consigo me organizar, nem planejar a mudança ou a escola das minhas filhas”, indigna-se.

Com o casal Thalita Tomé de Carvalho e Lucas Correa da Silva a decepção é ainda maior, pois no caso deles a previsão de entrega era para julho de 2024. “Depois da compra, demoramos cerca de um ano para conseguir assinar o financiamento com a Caixa e, até aquele momento, a obra sequer havia sido iniciada. Lembro que, na época da assinatura, a construtora nos garantiu que até março de 2025 o apartamento estaria pronto. Infelizmente, essa promessa também não foi cumprida”, informou Thalita ratificando que continua com os pagamentos sendo efetuados, porém sem uma resposta concreta por parte da construtora.

Um noivado com o sonho do apartamento, o casamento aconteceu, porém, a Casa 8 não entregou o apartamento do casal no prazo prometido. Este é o caso de Joyce Ernica. “A nossa história começou em 2023 quando eu e meu marido, Guilherme Augusto Ernica (na época noivo), compramos nosso apartamento no ano de 2023 com um sonho muito simples: começar nossa vida de casados no nosso lar.

Planejamos tudo em função dessa entrega. Março de 2025 já deveria ter sido entregue, então nos programamos para casar em maio de 2026 (contando com um possível pequeno atraso e reformas). Mas esse sonho foi interrompido. A construtora atrasou a entrega em mais de um ano e meio, e desde então só recebemos promessas que nunca se cumprem. Estou há 2 anos esperando que o apartamento seja entregue de fato”, comenta inconformada.

“O mais doloroso é que nós já nos casamos, mas nunca pudemos entrar na nossa casa. Em vez de viver o início da nossa vida juntos no apartamento que conquistamos com tanto esforço, continuamos pagando aluguel”, completa cheia de tristeza.

O caso de Tamires não é menos dramático que os demais, para piorar a sua situação o seu contrato foi transferido de uma torre para outra com a promessa que não haveria acréscimo, mas de 192 mil a unidade passou a 212 mil. Ela foi a fundo e acabou descobrindo que uma série de irregularidades indeferiu o habita-se, entre elas a de “solo contaminado”.

 

 

Construtora admite que obra não tem Habite-se

Abaixo a integra da nota

Resposta Casa 8 Construtora

Prezados,

 

A Casa8 reconhece os impactos que a espera pela entrega do Viva Smart Itaquera vem causando aos compradores e às suas famílias. Sabemos que cada cliente possui planos e compromissos relacionados ao recebimento de sua unidade, e tratamos a conclusão dessa etapa com seriedade, respeito e prioridade.

 

A Casa8 e seus clientes compartilham o mesmo objetivo: concluir as etapas administrativas pendentes, obter o Habite-se e viabilizar a entrega das chaves no menor prazo possível.

 

Neste momento, nossas equipes técnica, jurídica e administrativa estão totalmente concentradas nas providências relacionadas ao empreendimento e no acompanhamento do processo perante os órgãos competentes.

 

Histórico do processo

 

O primeiro pedido de Habite-se foi protocolado em 23 de março de 2026, sob o nº 0.000.162-26. Ao longo deste processo de obtenção do Habite-se, e seguindo o procedimento padrão da Prefeitura de São Paulo, o empreendimento venceu as etapas de obtenção do AVCB, exigências da Secretaria de Finanças e obtenção do Parecer Favorável da CETESB. Todavia, o protocolo foi indeferido pela prefeitura, que alegou dúvidas com relação ao Parecer Técnico da CETESB, pedindo maiores esclarecimentos. Portanto, tivemos o aceite de todos os envolvidos, restando apenas o pedido de esclarecimento de um departamento que integra a Secretaria do Verde. Estamos, realmente, na reta final.

 

Vale reforçar que foram fornecidos maiores detalhes sobre os procedimentos adotados pela Casa8 no comunicado enviado em 06/07/2026 aos clientes.

 

Com o indeferimento do protocolo original, e para dar continuidade ao procedimento e permitir uma nova análise, foi apresentado novo pedido de Certificado de Conclusão em 24 de junho de 2026, sob o nº 0.000.314-26.

 

O novo pedido nos permite trabalhar junto ao DECONT para a reconsideração e aceitação do parecer favorável já emitido pela CETESB, que reconheceu a inexistência de riscos e a segurança para o uso e a ocupação residencial da área.

 

Vale indicar que ao consultar este novo protocolo de Habite-se os clientes verão o processo sendo iniciado do zero, todavia, como todas as etapas, com exceção da aceitação do documento da CETESB, foram vencidas com sucesso, temos confiança que seremos capazes de repetir este procedimento e finalizar o processo.

 

Atuação da Casa8

 

A Casa8 permanece acompanhando o tema de forma contínua e adotando as medidas administrativas, técnicas e jurídicas necessárias para superar a pendência existente.

 

O empreendimento está concluído e será entregue aos nossos clientes. A questão atualmente discutida está relacionada à tramitação técnico-administrativa perante os órgãos ambientais e a Prefeitura e será resolvida.

 

Temos confiança de que o parecer técnico da CETESB, que reconhece expressamente a inexistência de riscos, o atendimento ao Plano de Intervenção e a segurança da área para o uso residencial proposto, nos ajudará a vencer esta última etapa. Para isso, voltaremos a apresentar o parecer, argumentando sua suficiência à Prefeitura e se necessário, providenciar qualquer outra documentação que seja coerentemente exigida pela Prefeitura.

 

Com relação a comunicação com os nossos clientes, anunciamos que será realizada reunião formal com os representantes do Patrimônio de Afetação, para apresentação do histórico do processo, dos documentos e das providências em andamento. As principais informações desse encontro serão compartilhadas nas próximas semanas com os clientes.

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