“O Ovo e a Galinha” estreia no Teatro Oficina com Ana Hartmann em cena

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Espetáculo dirigido por Joana Medeiros parte do conto de Clarice Lispector para colocar a escritora em cena e transformar o fluxo de pensamentos do texto em uma experiência teatral
Teatro Oficina
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De 19 de outubro a 08 de dezembro de 2026, o Teatro Oficina recebe a estreia paulistana de “O Ovo e a Galinha”, espetáculo dirigido por Joana Medeiros, com Ana Hartmann em cena, a partir do conto de Clarice Lispector. A montagem, que teve sua origem em 2017 e passou por um longo processo de pesquisa, leituras e ensaios abertos, coloca a escritora em cena diante de seu próprio texto e acompanha o fluxo de pensamentos desencadeado pela visão de um ovo sobre uma mesa. Serão 16 apresentações, às segundas e terças-feiras, às 20h.

Foto Ana Alexandrino

No espetáculo, Ana Hartmann interpreta Clarice Lispector no momento em que ela lê “O Ovo e a Galinha”. A partir do texto, a cena se transforma e a escritora passa a experimentar no próprio corpo as ideias, imagens e estados provocados pelo conto. O que começa com um ovo sobre uma mesa conduz a personagem por associações sobre existência, Deus, cotidiano, amor, trabalho e a tentativa de apreender aquilo que escapa à explicação.

A montagem parte de um episódio da trajetória de Clarice: sua participação no 1º Simpósio de Bruxaria de Bogotá, na Colômbia, em 1975, para o qual levou justamente “O Ovo e a Galinha”. O caráter enigmático desse acontecimento está na própria origem da dramaturgia. Há diferentes relatos sobre o que teria acontecido naquela ocasião, e a montagem toma essa zona de incerteza como ponto de partida para imaginar Clarice diante do público.

Foto Ana Alexandrino

A ideia do espetáculo surgiu em 2017, a partir de uma proposta de Joana Medeiros. Ao longo dos anos, o projeto passou por diferentes formatos e teve parte de seu processo desenvolvida no próprio Teatro Oficina, onde foram realizados ensaios abertos antes da temporada no Rio de Janeiro. A estreia paulistana acontece agora no espaço que também integra a trajetória de Ana, que começou sua carreira como atriz no Oficina.

Clarice, o ovo e a cena

A dramaturgia mantém o conto de Clarice como seu centro e cria ao redor dele uma situação cênica em que a palavra é atravessada por imagens, sons, objetos, luz e vídeo. Ana é a única atriz em cena, mas atua em diálogo permanente com uma equipe técnica que participa da ação. Luz, som, projeções, figurinos e objetos interferem no percurso da personagem e também são manipulados por ela.

A concepção audiovisual é de Ciça Lucchesi, artista ligada ao Teatro Oficina. As projeções partem de uma pesquisa sobre o ovo, sua geometria e sua presença em diferentes mitologias e culturas. O mar, imagens de Clarice, referências religiosas e outros elementos associados ao universo do conto também integram a construção visual.

Foto Ana Alexandrino

Antes mesmo de começar o espetáculo, o público é recebido pelo mar, com imagens e sons de praia. “É para eles já irem entrando num outro estado mesmo, mais meditativo ali, ao mesmo tempo que já chega e já tem alguma coisa acontecendo”, conta Ciça Lucchesi.

Na abertura, o vídeo ganha a função de informar, mostrando a participação de Clarice no Congresso de bruxaria. “Isso aparece assim meio no meio de uma fumaça. Então, tem um pouco também esse universo da bruxaria, da magia presente nas imagens, ainda que de forma meio oculta. Então a imagens tem um pouco dessa função de situar, trazer essa informação concreta, mas tem várias outras camadas para viver a presença da Clarice através dessa projeção”.

Também compõe o trabalho o jogo com o kino-atuador (Luz Barbosa), de câmera ao vivo e transmissão direta para o telão com as imagens captadas durante a própria peça, conferindo essa camada cinema ao vivo.

A cena reúne ainda elementos como vidro, espelho, fumaça e objetos cotidianos. Uma mala associada à Clarice, uma folha em branco e grandes objetos de limpeza fazem parte desse universo, em que ações corriqueiras passam a adquirir outra dimensão. A montagem também trabalha com o contraste entre o preto e o branco do ovo e com diferentes possibilidades de luz e sombra.

Para Joana Medeiros, o espaço é parte importante da dramaturgia. No Teatro Oficina, a arquitetura já estabelece uma relação particular entre cena e público, com diferentes planos e pontos de observação. A montagem incorpora essa característica ao percurso da personagem e à movimentação dos elementos cênicos.

O retorno ao Oficina também estabelece uma relação com a trajetória de Ana Hartmann. A atriz começou a trabalhar no teatro em 2012 e integrou montagens da companhia, entre elas “As Bacantes” e “Cacilda!!!”, sob direção de Zé Celso Martinez Corrêa. No Cemitério de Automóveis, de Mário Bortolotto, atuou em “Killer Joe”, trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Quem Revelação. Na televisão, participou das séries Onde Nascem os Fortes (Globo), Feras (MTV) e Rio Connection (coprodução Globo e Sony Internacional), entre outras. Em 2020, protagonizou a série Reality Z (Netflix), coproduzida por Charlie Brooker (Black Mirror), e acumula onze trabalhos no audiovisual, incluindo dois importantes longas-metragens: Barba Ensopada de Sangue (RT Features), dirigido por Aly Muritiba, e O Pastor e o Guerrilheiro, dirigido por José Eduardo Belmonte.

Em “O Ovo e a Galinha”, sua atuação parte da presença de Clarice e acompanha as transformações provocadas pelo próprio texto. A escritora, o ovo, a galinha, os objetos e a máquina teatral passam a integrar uma mesma situação, em que pensamento e ação se encontram no espaço da cena.

Ficha Técnica
“O OVO E A GALINHA” — Temporada Teatro Oficina, São Paulo, 2026
Dramaturgia: Clarice Lispector, Joana Medeiros e Ana Hartmann
Direção: Joana Medeiros
Atuação: Ana Hartmann
Direção de Produção: Carolina Henriques
Produção Executiva: Ana Hartmann e Carolina Henriques
Assistente de Direção: Victor Rosa
Direção de Arte: Marília Pirajú e Marcelo X
Direção de Som: Adriano Salhab
Iluminação: Victoria Pedrosa
Operação de Luz: Victoria Pedrosa
Projeções: Ciça Lucchesi
Operação de Vídeo: Ciça Lucchesi
Kino-atuador: Luz Barbosa
Figurino: Felipe Samorano
Operação de Som: Júlia Ávila
Músico em Cena: Adriano Salhab
Ponto: Ana Clara Cantanhede
Mídias Sociais: Pedro Martins
Comunicação: Ana Clara Cantanhede, Pedro Martins e Luz Barbosa
Visuais: Ciça Lucchesi
Relações Institucionais: Lucas Andrade
Produção: Rodri Produções
Assistente de Produção e Bilheteria: Diego Leo
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Serviço
“O OVO E A GALINHA”
Temporada: 19 de outubro a 8 de dezembro de 2026
Horário: Segundas e terças, às 20h
Local: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Endereço: Rua Jaceguai, 520 — Bixiga, São Paulo/SP
Ingressos: R$ 50 (meia-entrada) / R$ 100 (inteira)
Link de compra: https://bileto.sympla.com.br/event/127675
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Siga no Instagram: @ovoeagalinha

 

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