El Niño: inverno de 2026 no Brasil terá menos frio, prevê meteorologia

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nio - El Niño influenciará o inverno de 2026 no Brasil, com temperaturas mais amenas e padrões de chuva alterados, segundo a Nottus.
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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O Brasil se prepara para a chegada do inverno no Hemisfério Sul, que tem início marcado para as 5h25 do próximo domingo, 21 de junho. Contudo, a estação, tradicionalmente associada a temperaturas mais baixas, promete um cenário diferente neste ano. De acordo com previsões da consultoria em meteorologia Nottus, a influência do fenômeno El Niño fará com que os brasileiros sintam menos o frio nos próximos três meses.

nio: cenário e impactos

Este prognóstico, apresentado em um estudo detalhado pela Nottus, aponta para uma temporada de inverno com características atípicas, moldadas pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. A expectativa é de que o El Niño module o clima nacional, trazendo impactos diversos que vão desde a distribuição de chuvas até a intensidade das ondas de frio.

O Fenômeno El Niño e suas Características

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região equatorial do Oceano Pacífico. A elevação da temperatura do mar em apenas 0,5 grau Celsius (C°) acima da média histórica já é suficiente para caracterizar sua ocorrência.

Recentemente, a Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa) confirmou o início do El Niño, sinalizando o começo de um período de alterações climáticas significativas em escala global. No Brasil, essas mudanças se manifestam de maneira particular, afetando diferentes regiões com padrões distintos de temperatura e precipitação.

Impactos Regionais: Chuva e Seca no Brasil

As projeções da Nottus indicam que a temporada de inverno será marcada por uma concentração de chuvas acima do normal na Região Sul do país. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste devem experimentar precipitações mais curtas e menos intensas, aumentando o risco de secas prolongadas.

Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, explica que, embora o inverno possa começar com temperaturas mais baixas, “os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”. Essa moderação do frio se deve à combinação de períodos mais secos e ventos vindos do Norte, que favorecem a elevação gradual das temperaturas, especialmente na segunda metade da estação. A percepção geral, portanto, será de um inverno mais ameno.

Nascimento ressalta que a influência do El Niño não significa a ausência total de frio. “El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos”, afirma. Além disso, algumas áreas do centro do país podem registrar os chamados veranicos, que são períodos de tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas, típicos do outono ou inverno.

Previsões Mensais para o Inverno de 2026

O estudo da Nottus detalha as características climatológicas esperadas para cada mês do inverno:

  • Julho: O mês deve ser marcado por um volume de chuva acima da média entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a chuva ganhará força, especialmente nas áreas do interior.
  • Agosto: Maiores concentrações de chuva são esperadas no extremo norte do país, na faixa leste do Nordeste e em toda a Região Sul, onde os volumes podem superar a média histórica. Enquanto isso, entre Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, o período seco, característico desta época do ano, deve se estabelecer gradualmente. O meteorologista projeta que, “de agosto em diante, a gente pode começar a ter pelo interior do país ondas de calor”.
  • Setembro: O destaque fica para a intensificação das chuvas no Sul, que devem superar a média climatológica. Já o Nordeste terá precipitação abaixo da média ao longo das faixas leste e norte.

Apesar da previsão de chuvas acima da média na Região Sul, Alexandre Nascimento não identifica, por enquanto, a probabilidade de temporais extremos como os que devastaram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024. “Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto”, pontua.

O Desafio do “Super El Niño” e o Setor Elétrico

Com base em informações da Noaa, Alexandre Nascimento alerta para a grande chance de um “Super El Niño” a partir de setembro de 2026 até fevereiro de 2027, período em que a elevação da temperatura da água pode superar 2,5 C°. Preocupado com os potenciais impactos desse fenômeno mais intenso, o governo federal já criou uma Sala de Situação Interministerial para coordenar respostas e gerenciar possíveis desastres.

O El Niño deve persistir, pelo menos, até o primeiro semestre de 2027, com implicações significativas para o sistema elétrico brasileiro. Com a maior parte da energia gerada por hidrelétricas, o país é altamente dependente do regime de chuvas que alimentam os reservatórios.

Para 2026, Nascimento avalia que o El Niño pode ser “até benéfico para o sistema”, devido à chegada de chuvas no Sul e em partes do Sudeste. No entanto, o cenário para 2027 é mais preocupante. “No ano que vem, existe uma pressão bem grande, por conta do El Niño, de a gente ter um consumo elevado do primeiro trimestre, por conta de ondas de calor, e não chover tanto no Norte e no Nordeste”, projeta, indicando desafios para o abastecimento energético.

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