Moradores de rua – Lei pode diminuir a fome de pessoas nessa condição

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Nos últimos anos a fome tem sido uma rotina nas grandes cidades do Brasil, após a pandemia houve aumento de moradores de rua.
moradores de rua
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Este problema se intensificou ainda mais, bem como o número de pessoas em situação de rua. Antes o quadro era bem definido: moradores de rua era alguém solitário, mas hoje famílias inteiras moram nas ruas.

Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta 52.226  moradores de rua na capital paulista até fevereiro deste ano.

Mas uma lei aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes pode remediar a questão da fome das pessoas que vivem em situação de rua.  A nova lei permite que alimentos descartados por estabelecimentos comerciais especializados sejam doados na cidade. Antes esta prática era proibida, os comerciantes temendo serem punidos com sanções administrativas não doavam, o que levou milhares de pessoas a remexerem em lixos em busca de algo para saciar a fome.

A Lei nº 17.755/2022 – autoria do vereador Gilson Barreto (PSDB) – autoriza os estabelecimentos dedicados à produção e ao fornecimento de alimentos, inclusive produtos in natura e industrializados, além de refeições prontas para o consumo, a doarem o excedente não comercializado.

moradores de rua“Até então, o que sobrava era jogado no lixo, ainda é. Depois das refeições, muitas pessoas de rua iam retirar nos restaurantes o que sobrava para comer. Os proprietários que forneciam eram fiscalizados e, em muitas das vezes, multados por órgãos como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde). Eles tinham medo de doar devido às regras”, confirma o autor da Lei.

Mas vale lembrar – que nem todo alimento pode ser doado-, pois a nova lei prevê que para que isso ocorra os alimentos devem estar em condições de consumo, devendo ser atendidos os seguintes critérios:  prazo de validade, integridade, segurança sanitária e propriedades nutricionais mantidas.

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A ONG (Organização não-Governamental) Banco de Alimentos já recolhe, em média, 100 toneladas de alimentos por mês que seriam descartados, atendendo 25 mil pessoas por dia. Entre os doadores estão grandes redes de supermercados.

O vereador Gilson Barreto vê com otimismo lei e pede mais divulgação visando que produtos usados por restaurantes, mercados e entrepostos sejam encaminhados aos mais necessitados. “Eu tenho certeza de que acabaríamos com a fome da cidade. Precisamos assumir nossas responsabilidades e, com boa vontade, evitar tanto desperdício cedendo comida às pessoas mais necessitadas.”, comenta de forma esperançosa.

A última pesquisa Viver em SP: Pobreza e Renda, lançada recentemente pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ipec, informa que o item que mais impacta no orçamento doméstico é justamente a alimentação. Cerca de 86% dos entrevistados mencionam esse tipo de custo entre os que mais consomem a renda mensal.

Vale destacar que a lei impacta de forma positiva a vida de moradores de rua que convivem com a fome diariamente. É uma luz no fim do túnel da desesperança, que levou milhares de pessoas a morarem nas ruas, não somente no centro da cidade, mas em bairros periféricos.

 

Itaquera: da Maria do Trem a centenas de

moradores de rua

Como em toda a cidade, o número de moradores de rua em Itaquera também aumentou

Os moradores mais antigos do bairro com certeza lembram de um tempo que os moradores de rua eram “contados no dedo”. Eram tão poucos que se tornavam figuras folclórica, conhecidas dos comerciantes que sempre de alguma forma os alimentavam. Era a Maria da Estação, a Xuxa, o Banana, personagens, que apesar da precariedade de viverem sob marquises e toldos das lojas, eram reconhecidos e pontualmente identificados.

Mas em 30 anos as coisas mudaram de figura e hoje centenas de pessoas moram pelas calçadas em improvisadas barracas. Na avenida Harry Dannenberg, do lado da antiga Montepino, residem dezenas deles. Sem identificação, sem perspectivas, sem apoio, sem respeito.

Outro grupo mora na avenida Lider, já no cruzamento com a própria Harry Dannenberg. A poucos dias atrás do lado de uma escola pública, no Conjunto AE Carvalho, um grande acampamento já estava formado.

E este quadro que demonstra o aumento dos moradores de rua está sendo visto por 80% dos moradores da cidade de São Paulo. Ainda segundo levantamento feito pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ipec, uma em cada três pessoas dizem que a renda familiar diminuiu no último ano.

A mesma pesquisa aponta que 80% dos moradores e moradoras de São Paulo acham que aumentou o número de pessoas em situação de rua no último ano. O aumento do desemprego é apontado pela maioria dos entrevistados (84% do total de menções) como o principal motivo para o crescimento da população em situação de rua, seguido pelo alto custo de vida na cidade (66%) e pela elevação do preço dos aluguéis (56%).

Outro dado alarmante da pesquisa: 65% dos moradores de São Paulo percebem que aumentou o número de pessoas pedindo esmola nos últimos 12 meses e por fim para 58%, há mais famílias entre os moradores de rua.

 

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