O Ministério da Igualdade Racial encaminhou nesta manhã de segunda-feira ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro. A medida busca garantir a investigação imediata de um episódio de crime racista ocorrido na tarde de domingo durante uma manifestação pública em favor do candidato Flávio Bolsonaro.
Repercussão do vídeo e a dinâmica da manifestação
Um registro em vídeo amplamente divulgado em redes sociais e portais de notícias revelou o momento em que um militante bolsonarista branco conduzia um homem negro acorrentado. A cena ocorreu durante o último ato de campanha do candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), na Praça do Ó, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
Durante o evento político, o candidato ocupava um trio elétrico acompanhado de autoridades como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL). Nas imagens analisadas pelas autoridades, o apoiador do candidato aparece trajando vestes nas cores verde, branco e azul, enquanto o homem negro acorrentado veste camisa listrada em vermelho e preto, bermuda preta e carrega um tridente.
Posicionamento oficial do governo federal
Em nota oficial distribuída à imprensa, a pasta federal classificou o episódio como inadmissível e destacou a gravidade da humilhação pública baseada em cor e raça. O texto ressalta que a dinâmica evocada no ato remete diretamente a períodos históricos repudiados internacionalmente e reconhecidos como graves violações aos direitos humanos básicos.
O ministério pontuou ainda que manifestações dessa natureza dentro do cenário eleitoral revelam feridas profundas deixadas pela escravidão na sociedade brasileira. Para a pasta, a reprodução de tais comportamentos exige resposta firme dos órgãos de persecução penal e da justiça eleitoral para coibir abusos.
Reações de parlamentares e desdobramentos políticos
A deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro, Anielle Franco (PT), utilizou sua conta oficial na rede social X para repudiar o ocorrido e confirmar que acionaria formalmente o governo. A parlamentar destacou que o caso exige rigor e que também acompanha episódios de intolerância religiosa registrados recentemente em outras capitais durante mobilizações semelhantes.
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