Feira literária em Manguinhos celebra a força da produção cultural periférica no Rio

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literatura - Feira Literária Conta Conto em Manguinhos celebra a produção cultural periférica com debates, música e distribuição de livros no Rio de Janeiro.
© Festival Conta Conto/Divulgação
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A Biblioteca Parque de Manguinhos, situada na zona norte do Rio de Janeiro, tornou-se o epicentro de uma celebração que une literatura, arte e resistência. Nesta sexta (19) e sábado (20), o espaço recebe a Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias, um evento que reafirma a potência criativa das comunidades cariocas e busca descentralizar o acesso à cultura.

literatura: cenário e impactos

Com uma programação inteiramente gratuita e aberta ao público, a feira oferece um mosaico de expressões artísticas, incluindo teatro, música e gastronomia. A iniciativa vai além da simples exposição de obras, funcionando como um ponto de encontro entre autores que emergiram das favelas e o público local, fomentando uma rede de troca que busca transformar a percepção sobre a produção cultural produzida fora dos eixos tradicionais.

Protagonismo e inspiração nas comunidades

Para Elton de Souza Pinheiro, um dos idealizadores do projeto, o evento é a materialização de um desejo antigo de ocupar espaços que, durante sua infância, eram escassos ou inexistentes nas periferias. Autor de obras focadas no universo do subúrbio carioca, Pinheiro destaca que o festival possui uma missão pedagógica e inspiradora para as novas gerações.

“O festival nasce também com a proposta de inspirar esses jovens e crianças, mostrando que existem oportunidades e que há fomento a partir do nosso conhecimento de território de favela”, afirma o idealizador. A ideia é que o contato direto com artistas que compartilham a mesma origem sirva como um catalisador para que novos talentos locais acreditem na viabilidade de suas próprias trajetórias artísticas.

Diálogos sobre território e economia criativa

A programação conta com a presença confirmada de 15 autores, que participam de mesas de debate e sessões de autógrafos. Entre os destaques, o escritor Júlio Emílio Braz apresenta a obra Pretinha, Eu, que aborda temas como identidade e racismo ao narrar a trajetória de Vânia, a primeira aluna negra em um colégio de elite carioca.

Além das mesas literárias, o evento abre espaço para lideranças comunitárias discutirem o impacto da economia criativa. Cintia Sant’Anna, fundadora do Instituto Entre o Céu e a Favela, é uma das vozes que compõem o debate sobre o valor da arte produzida na favela e os desafios de sua comercialização e reconhecimento. O objetivo é questionar quem realmente se beneficia da produção cultural periférica e como fortalecer esses criadores.

Trajetória do projeto Conta Conto

O projeto Conta Conto surgiu em 2021, idealizado por Elton de Souza Pinheiro, natural de Nova Iguaçu, e Leandro Pedro, morador do Morro do Turano. O que começou como um encontro entre contadores de histórias evoluiu, após mais de 20 edições em diferentes municípios fluminenses, para uma feira literária de maior porte.

A ocupação dos espaços públicos por esse tipo de evento demonstra uma demanda reprimida por cultura nas periferias. Segundo os organizadores, a alta adesão de crianças e famílias reforça que, quando o fomento cultural chega ao território, o público responde com engajamento. Durante a feira, cerca de 300 exemplares de livros serão distribuídos, garantindo que o acesso à leitura seja, além de um debate, uma prática concreta.

O Fato Paulista segue acompanhando as iniciativas que promovem a descentralização cultural e o fortalecimento das identidades regionais. Continue conosco para se manter informado sobre os eventos que transformam a realidade social e cultural do país.

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