Licença-paternidade de 20 dias: entenda o que muda para empresas e trabalhadores

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Senado aprovou projeto na quarta-feira (4); Mestre em Direito do Trabalho analisa impactos para o mercado e para a rotina das famílias
Licença-paternidade
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O Senado aprovou na quarta-feira (4) a ampliação da licença-paternidade que aumenta o benefício de 5 para 20 dias. O projeto também prevê um salário-paternidade, custeado pela Previdência Social. Agora o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o mestre em Direito do Trabalho Giovanni Cesar, a medida é um passo importante para equilibrar responsabilidades familiares e reduzir desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

Giovanni ainda lembra que o modelo atual é um dos mais curtos do mundo, o que prejudica tanto as famílias quanto o ambiente corporativo. “As mulheres ainda sofrem discriminação em contratações e promoções porque ficam mais tempo afastadas. Se homens e mulheres tiverem prazos equivalentes, essa diferença perde força e a desigualdade tende a reduzir”, afirma.

Para o especialista, o avanço do projeto representa uma mudança estrutural nas relações de trabalho. “Pela primeira vez, o debate sobre licença-paternidade ganha um olhar econômico e social. A ampliação gradual, custeada pela Previdência, reduz resistências do setor privado e aponta para um modelo mais equilibrado”, analisa.

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O que muda para o trabalhador

Com a ampliação, o pai terá mais tempo de convivência com o bebê, estabilidade temporária após o retorno ao trabalho e remuneração integral durante o afastamento.

“Hoje, a rotina de quem tem apenas cinco dias de afastamento é de quase nenhum contato com o bebê. A jornada de oito horas somada ao tempo de deslocamento faz com que o pai mal participe do cuidado inicial”, afirma o professor.

Na prática, segundo Giovanni, a medida incentiva uma divisão mais justa de responsabilidades no puerpério, com a redução da sobrecarga que hoje recai quase exclusivamente sobre as mães.

Como as empresas devem se preparar

Para Giovanni, a principal preocupação está no financiamento e na adaptação de políticas internas e contratos coletivos.

“A transferência do custeio para a Previdência reduz a resistência empresarial e torna o modelo mais sustentável. Mas será preciso revisar acordos, planejar orçamentos e atualizar políticas internas de recursos humanos”, explica.

Segundo ele, companhias que se anteciparem e adotarem medidas inclusivas tendem a se destacar. “A sociedade já cobra esse protagonismo, e as empresas que saírem na frente vão ganhar em retenção de talentos e reputação corporativa”, conclui.

Outros direitos que os pais já têm pela CLT

Além da licença-paternidade, a legislação trabalhista prevê outros benefícios:

  • Estabilidade no emprego após o nascimento do filho.
  • Auxílio-creche, que pode ser estendido ao pai.
  • Direito de acompanhar filhos em consultas médicas e internações.
  • Licença em caso de falecimento da mãe, com afastamento de até 120 dias.

 

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