Justiça suspende norma que autorizava dentistas a realizar harmonização facial

PUBLICIDADE
Justiça suspende resolução que permitia dentistas realizarem harmonização facial; CFM e CFO divergem sobre limites da atuação profissional.
Justiça suspende norma que autorizava dentistas a realizar harmonização facial
PUBLICIDADE

Uma decisão recente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) trouxe um novo capítulo ao longo embate sobre os limites de atuação profissional na área de estética. A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu a resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que reconhecia a harmonização orofacial como uma especialidade odontológica. O movimento atende a um recurso movido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que questionava a legalidade da norma.

Limites da atuação profissional e segurança do paciente

O cerne da disputa judicial gira em torno da competência legal de cada categoria profissional. Segundo o entendimento do tribunal, os conselhos de classe não possuem autonomia para ampliar, por meio de resoluções administrativas, o escopo de atuação de seus inscritos sem que haja uma previsão legal específica. A decisão reforça que a definição de atos privativos de cada profissão deve seguir estritamente o que está consolidado em lei.

Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, a medida é uma vitória para a segurança da população. Em posicionamento oficial, o dirigente argumentou que a expansão de competências sem o devido respaldo legislativo pode expor pacientes a riscos desnecessários. Segundo o conselho, procedimentos invasivos com finalidade estética que extrapolam o campo de atuação da odontologia deveriam ser restritos a profissionais com formação médica específica.

O posicionamento do Conselho Federal de Odontologia

Em contrapartida, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) manifestou discordância imediata com o teor da decisão. A entidade informou que irá recorrer aos tribunais superiores para reverter a suspensão. O conselho defende que a harmonização orofacial é uma prática intrínseca à formação e à rotina dos cirurgiões-dentistas, argumentando que a face é o campo de estudo e intervenção primário da profissão.

Em nota, o CFO destacou que a existência de atos privativos da medicina não deve ser interpretada como uma exclusividade absoluta sobre todas as intervenções realizadas na região facial. Até que o processo tenha um desfecho definitivo, o conselho orientou que os profissionais da odontologia mantenham suas atividades, desde que respeitem os limites técnicos, a formação acadêmica e as normas éticas vigentes para a categoria.

Impactos e o cenário da estética no Brasil

O setor de procedimentos estéticos no Brasil vive um crescimento acelerado, impulsionado pela busca por intervenções menos invasivas e pela popularização de técnicas como preenchimentos e aplicações de toxina botulínica. Esse cenário, contudo, tem gerado uma intensa disputa de mercado e de representatividade entre médicos e dentistas.

A decisão do TRF1 coloca em evidência a necessidade de uma regulamentação mais clara sobre os procedimentos que cruzam as fronteiras entre as duas áreas da saúde. Enquanto a batalha jurídica segue nos tribunais, pacientes e profissionais acompanham com atenção os desdobramentos, que podem definir o futuro da prática estética no país. Para mais informações sobre este e outros temas que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando o Fato Paulista, seu portal de notícias com apuração rigorosa e compromisso com a informação de qualidade.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário