A Justiça de São Paulo oficializou, nesta terça-feira (18), o recebimento da denúncia contra o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, tornando-o réu pelos crimes de lesão corporal contra mulher e ameaça. A decisão, proferida pela Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, também negou o pedido da defesa para a conversão da prisão preventiva em domiciliar, mantendo o acusado sob custódia.
Contexto da violência e a denúncia do Ministério Público
O caso, que ganhou repercussão pela gravidade dos relatos, teve início na noite do dia 14, após um jantar na região de Pinheiros, zona oeste da capital paulista. Segundo a denúncia assinada pela promotora de Justiça Fabíola Sucasas, a violência começou ainda dentro do veículo do casal, onde o empresário teria desferido diversos socos contra o rosto e o corpo de sua esposa, a cirurgiã-dentista Giulia Falcão.
A situação escalou ao chegarem à residência. Conforme apurado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), a vítima foi atingida na mão por um taco de beisebol e ameaçada com um dispositivo de choque elétrico. A mulher relatou que teve seu celular subtraído para impedir que buscasse socorro e sofreu ameaças de morte caso tentasse deixar o imóvel. Ela conseguiu escapar e solicitar auxílio a vizinhos, que acionaram a Polícia Militar.
Escalada de abusos e medidas protetivas
Além da agressão física imediata, a investigação revelou um cenário de violência sistemática. A vítima afirmou às autoridades que o episódio não foi isolado, descrevendo um histórico de perseguição, controle, ameaças de morte e episódios de asfixia, incluindo enforcamento e sufocamento. O laudo de corpo de delito corroborou as agressões, identificando edemas, equimoses no rosto e ferimentos na mão direita da dentista.
Diante da gravidade e da clara escalada de violência, a Justiça estabeleceu medidas protetivas de urgência. O réu está proibido de manter qualquer tipo de contato com a vítima — seja pessoalmente, por meios eletrônicos ou através de terceiros — e deve manter uma distância mínima de 300 metros da mulher, de seus familiares, de sua residência e de seu local de trabalho.
Garantia de direitos e patrimônio da vítima
A decisão judicial também abordou a violência patrimonial sofrida pela vítima. Após a prisão em flagrante do empresário, familiares do acusado teriam trocado as fechaduras da residência, impedindo o acesso da cirurgiã-dentista aos seus pertences e ao seu veículo. A juíza Carla Balestreri determinou o retorno imediato de Giulia ao lar e a restituição integral de seus bens.
O pedido de prisão domiciliar, solicitado pela defesa, foi indeferido pela magistrada. A decisão fundamentou-se na ausência de comprovação documental sobre a condição de saúde do réu que justificasse, perante a lei, a substituição da custódia preventiva. O processo segue agora para a fase de instrução, onde serão ouvidas testemunhas e analisadas as provas periciais que sustentam a acusação.
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