Itamar Vieira Junior defende que desigualdade de acesso é o real entrave para a leitura no Brasil

PUBLICIDADE
Itamar Vieira Junior aponta que desigualdade de acesso, e não falta de interesse, é o principal obstáculo para a leitura no Brasil.
Itamar Vieira Junior defende que desigualdade de acesso é o real entrave para a leitura no Brasil
PUBLICIDADE

O mito do desinteresse pela leitura

Durante a edição de 2026 da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, o escritor Itamar Vieira Junior desafiou uma narrativa comum no debate público nacional: a ideia de que o brasileiro não possui o hábito de ler. Para o autor da aclamada Trilogia da Terra, o problema central não reside na falta de interesse da população, mas sim nas barreiras estruturais que impedem o contato com a literatura.

Ao discursar para uma multidão no Largo do Pelourinho, o escritor enfatizou que a demanda por livros é vasta em todas as regiões do país. “O que existe é desigualdade de acesso”, afirmou, destacando que o interesse pela leitura é uma característica presente, mas frequentemente sufocada pela escassez de recursos e pela distribuição desigual de equipamentos culturais pelo território brasileiro.

O papel das bibliotecas na formação do leitor

Relembrando sua própria trajetória, Itamar Vieira Junior destacou a importância das bibliotecas públicas de Salvador em sua formação intelectual. Segundo o autor, a ausência desses espaços em bairros periféricos e cidades menores é um dos principais fatores que afastam novos leitores. O escritor defende que a presença de uma biblioteca em cada bairro seria o cenário ideal para democratizar o conhecimento e garantir que o livro não seja um objeto de luxo.

Dados recentes reforçam a complexidade desse cenário. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, indicou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, totalizando cerca de 93,4 milhões de pessoas. No entanto, o mesmo levantamento apontou uma queda de 6,7 milhões de leitores em quatro anos, um dado que acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

Políticas públicas e o futuro do mercado editorial

Enquanto o número de leitores apresenta oscilações, o mercado editorial brasileiro demonstra sinais de resiliência. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil, elaborado pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, revelou que 18% da população adulta adquiriu ao menos um livro em 2025, um crescimento de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior, representando cerca de 3 milhões de novos compradores.

Para o autor de Torto Arado e Coração sem Medo, a tecnologia surge como uma aliada importante para mitigar as disparidades regionais. Ele citou a plataforma MEC Livros como um exemplo de iniciativa que permite o acesso gratuito a obras literárias, independentemente da localização geográfica do leitor. A ferramenta tem se mostrado eficaz, com obras de grande repercussão, como a sua própria, figurando entre as mais requisitadas para empréstimo digital.

O debate trazido por Itamar Vieira Junior na Flipelô coloca em evidência a urgência de tratar a leitura não apenas como uma escolha individual, mas como um direito que depende de infraestrutura e incentivo estatal. O compromisso com a democratização do livro permanece, portanto, como um desafio central para o desenvolvimento cultural do país.

Continue acompanhando o Fato Paulista para mais análises sobre o cenário cultural brasileiro e as principais discussões que movem a sociedade. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, diversa e pautada pela relevância dos fatos.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário