Hoje, nesta coluna, quero homenagear uma das personalidades mais importantes da história de Itaquera.

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“ITAQUERENSES QUE FIZERAM A DIFERENÇA” Aqui vamos contar um pouco da história destas pessoas que, independentemente de posição social, contribuíram de forma reconhecida para o desenvolvimento do nosso bairro.
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 “ITAQUERENSES QUE FIZERAM A DIFERENÇA”

Aqui vamos contar um pouco da história destas pessoas que, independentemente de posição social, contribuíram de forma reconhecida para o desenvolvimento do nosso bairro.

Pessoas que tinham no coletivo seus propósitos em detrimento do sucesso pessoal. Itaquerenses que colocaram, a frente de qualquer interesse próprio, o dom de amar e ajudar ao próximo.

Uma destas pessoas foi:

Dona Natividade, a Parteira de Itaquera.

 

Natividade Roldan Castro Poyatto, nasceu em Córdoba na Espanha, em 25 de dezembro de 1870 e veio para o Brasil no ano de 1906, já casada com Dom Francisco Roldan “Chico Peixeiro” e, após uma rápida passagem por Taquaritinga, interior de São Pulo, vieram fixar residência em Itaquera, em casa construída pela própria família, na antiga Rua Coronel Rodrigues Seckler, atual Rua Miramonte na Vila Santana.

Por volta de 1910, eram poucas as famílias residentes em Itaquera, segundo relatos, não mais que 10 a 20 famílias de pioneiros. Não havia qualquer estrutura de saúde e o transporte era precário. Sendo assim, e já pela experiência com a maternidade, Dona Natividade começou a ajudar as mulheres durante suas gestações e partos.

Durante o período de 1910 a 1955, praticamente a maioria dos partos em Itaquera teve seus rebentos amparados pelas mãos hábeis e generosas de Dona Natividade. Segundo consta por relato de seus filhos e netos, ela se orgulhava de nunca ter perdido uma criança ou uma parturiente.

Esta senhora, que orgulhosamente denominamos “A Parteira de Itaquera” nunca mediu esforços para ajudar a quem dela necessitava, e ia ao encontro das manjedouras dos futuros Itaquerenses, quer seja no lombo de um cavalo, de uma bicicleta, de charrete, carroça ou mesmo a pé. Sempre iluminada pela luz dos lampiões de querosene, pois na época não havia energia elétrica no bairro.

Eu sou testemunha viva desta dedicação, quando na madrugada do dia 26 de junho de 1951, mesmo com muito frio, ela, já com 81 anos, apoiada no ombro de meu irmão Dirceu, veio a pé da Vila Santana à Vila dos Campanellas ajudar a minha mãe a dar à luz a um menino que agora lhes conta esta estória.

Dona Natividade construiu uma família numerosa, tendo nove filhos, Manoel; Trenidad; Francisco; Cierrita; Rafael; Antonio; Regeneração; Aurora e Libre.

Dona Natividade morreu em 15 de novembro de 1968, aos 97 anos.

Em 2009, durante os festejos do 328º aniversário de Itaquera, foi inaugurado o Anfiteatro do Centro de Cidadania da Mulher de Itaquera, que fica na Rua Ibirajara 495, na Parada 15 de novembro, em Itaquera. O nome de Dona Natividade foi dado a este Anfiteatro em sua homenagem. Nada mais justo, embora ainda seja pouco para o reconhecimento e agradecimento a esta mulher guerreira que viveu à frente de seu tempo e que provavelmente está entre as mais destacadas mulheres da história de nosso bairro.

História de Itaquera

“Natividade

Nascimento do filho de Deus como homem.

Filho de Maria Virgem e concebido pelo Espírito Santo.

Natividade de Jesus”

 

Nós, nativos de Itaquera, que após sairmos do útero divino de nossas mães, fomos amparados por suas mãos santas, agradecemos.

OBRIGADO, dona NATIVIDADE.

Agradecimento especial aos seus netos e meus amigos, Chinito Roldan e Amauri Roldan que contribuíram com as informações aqui relatadas.

Fica meu pedido para aqueles que nasceram, ou cujos pais, ou avós nasceram com a ajuda de Dona Natividade que compartilhem aqui nos comentários o seu agradecimento a esta Dama.

Obrigado.

Marcos Falcon

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