Os itaquerenses com mais de 50 anos, com certeza irão se lembrar dos ‘bailes do abafadinho’. Eram lá que aconteciam, na Associação Amigos de Bairro de Vila Campanella.
Fundada em 1962 a entidade está localizada em um grande imóvel com cerca de 300 metros quadrados de área construída incluindo um grande salão social, mais espaço ao ar livre e área externa para confraternizações, porém há quase 20 anos está completamente abandonada, repleta de lixo, entulho e apenas uma família que lá reside, que não passa informações para ninguém. Quem denuncia é o técnico em gesso hospitalar Paulo Enrique Mascarenhas, antigo morador do bairro. Segundo ele informou a entidade tem mais de R$ 200 mil em dívidas com a Prefeitura de São Paulo, incluindo IPTU, taxas e multas que jamais foram pagas e sequer negociadas. Estão com ele nesta empreitada social os também moradores, Célia Aparecida, Soraya Calixto e Fernando que ao lado de Paulo organizaram um abaixo assinado que já está com mais de 50 assinaturas. Vale destacar que cada um dos citados, ou participaram ou tem parentes próximos que vivenciaram o auge histórico e social da entidade.
‘’ O prédio está com ocupação irregular e má conservação. Obras de restauração em banheiros, teto, entre outros, serão necessárias’, comenta. Vale destacar que o estado do imóvel é calamitoso, todo pichado, repleto de lixo, portões corroídos pela ferrugem e as calçadas com muito mato. ‘Não consigo entrar lá e a pessoa que lá mora é muito arredia e não permite a nossa entrada, mas ouço que tem vários cachorros e muito lixo lá dentro. Não vi, mas imagino que existam também diversos focos de dengue’, comenta. Ele destaca ainda que até criação de galinhas tem na sede da associação que poderia estar sendo usada com trabalhos sociais que beneficiariam as crianças e adolescentes das comunidades localizadas no entorno.
‘A última diretoria foi em 2003 e de acordo com consulta ao Cartório de Estatuto, o CNPJ não existe mais, foi baixado e não teve mais diretoria. Os moradores vizinhos não conhecem ninguém da associação, fica uma uma pessoa lá dentro que não nos deixa entrar’, lamenta.
O denunciante ainda destacou que o último presidente da associação que renunciou ao cargo em 2003 nem mais mora em São Paulo. ‘Provavelmente teme que as dívidas recaiam sobre ele’, avalia. Ele finaliza a entrevista afirmando que circula a informação que a pessoa que lá mora teria entrado com usucapião para adquirir o imóvel. ‘Mas fui verificar e esta informação não procede’, finaliza.