Governo prepara projeto para ampliar limite de faturamento e contratação do MEI
O governo federal oficializou a intenção de enviar, nesta quarta-feira (24), um projeto de lei à Câmara dos Deputados com o objetivo de atualizar as regras para os microempreendedores individuais (MEIs). A proposta busca elevar o teto de faturamento anual, que hoje está estagnado em R$ 81 mil, valor que corresponde a uma média mensal de R$ 6.750. A medida é vista como um passo fundamental para acompanhar a inflação e a evolução dos pequenos negócios no país.
Além da revisão do faturamento, o texto deve contemplar uma demanda antiga da categoria: o aumento no número de funcionários permitidos. Atualmente, o MEI pode contratar apenas um colaborador com carteira assinada. Com a nova proposta, a expectativa é que esse limite seja ampliado para pelo menos dois profissionais, facilitando a expansão operacional de pequenos empreendimentos e gerando novas oportunidades de trabalho formal.
Articulação política e o papel do Congresso
A iniciativa foi confirmada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, que destacou a importância da medida para o fortalecimento dos pequenos negócios. O ministro ressaltou que o governo está em fase final de construção da proposta, visando um equilíbrio entre o incentivo ao empreendedorismo e a responsabilidade fiscal. Na última terça-feira (22), Guimarães esteve reunido com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para alinhar os detalhes da tramitação.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que o projeto deverá passar por uma comissão especial antes de seguir para votação no plenário. A estratégia visa garantir que o texto seja amplamente debatido, assegurando que as mudanças sejam sustentáveis para as contas públicas. O governo justifica a urgência da medida pelo fato de o teto do MEI não sofrer reajustes desde janeiro de 2018, o que, na prática, tem limitado o crescimento de milhares de empresas que acabam sendo forçadas a migrar para o regime de microempresa (ME) antes de estarem plenamente preparadas.
Contexto econômico e a influência da jornada de trabalho
A discussão sobre o MEI ganhou contornos mais urgentes em meio ao debate sobre a jornada de trabalho. A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1 e reduzir a carga horária semanal para 40 horas trouxe à tona a necessidade de flexibilizar as regras para os pequenos empregadores. Líderes partidários e membros do governo passaram a articular essas mudanças no MEI como uma forma de compensar os impactos da nova jornada, permitindo que o microempreendedor tenha mais fôlego para contratar e manter sua estrutura produtiva.
Vale lembrar que já existe no Legislativo o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108 de 2021, de autoria do senador Jayme Campos, que propõe elevar o teto de receita para R$ 130 mil. O novo projeto do Executivo deve dialogar com essa pauta que já tramita na Casa, buscando um consenso que atenda às necessidades dos trabalhadores autônomos e garanta a segurança jurídica do regime simplificado de tributação.
O Fato Paulista segue acompanhando de perto a tramitação desta proposta e os desdobramentos que impactam diretamente a economia dos pequenos negócios no Brasil. Continue acessando nosso portal para se manter informado sobre as decisões que moldam o cenário político e econômico nacional com credibilidade e profundidade.




