Pesquisa da USP aponta que poluição e calor elevado dobram risco de AVC em idosos

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Estudo da USP revela que ondas de calor combinadas com poluição aumentam o risco de AVC em idosos na capital paulista.
Pesquisa da USP aponta que poluição e calor elevado dobram risco de AVC em idosos
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Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o avanço das ondas de calor na capital paulista está diretamente associado ao aumento no risco de acidente vascular cerebral agudo em pessoas com 65 anos ou mais. O estudo considerou como onda de calor a permanência de ao menos dois dias consecutivos com temperaturas máximas iguais ou superiores a 33,1 °C na cidade.

O cenário torna-se ainda mais grave quando a alta temperatura se une à poluição atmosférica causada por material particulado fino PM10. Composta por partículas sólidas e líquidas microscópicas liberadas principalmente pela queima de combustíveis veiculares e poeira inalável, essa combinação eleva significativamente a probabilidade de um derrame entre a população idosa da metrópole, segundo os dados obtidos pelos cientistas.

Impacto combinado entre estresse térmico e poluição urbana

Os resultados preliminares da pesquisa, desenvolvida no âmbito de um projeto apoiado pela Fapesp, foram detalhados por Alessandra Carvalho Goulart, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A apresentação ocorreu durante a FAPESP Week Países Baixos, realizada no campus da Universidade de Leiden.

De acordo com a especialista, esta é a primeira vez que uma investigação epidemiológica de base populacional quantifica, na maior metrópole da América Latina, o efeito direto e imediato do estresse térmico somado à poluição sobre o risco de AVC em idosos. O trabalho utilizou dados do Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral (EMMA), projeto financiado que acompanha centenas de casos diagnosticados na capital.

A modelagem estatística demonstrou que, ao incorporar a interação entre a onda de calor e a concentração de PM10, o risco de um evento vascular sofre um salto expressivo. Do ponto de vista fisiológico, a sobrecarga térmica provoca desidratação, alterando a viscosidade sanguínea e a capacidade de termorregulação do corpo, o que atua como um gatilho direto para o problema.

Hábitos saudáveis como escudo para o cérebro

Em paralelo aos fatores ambientais, a equipe avaliou como os cuidados com a saúde cardiovascular protegem a estrutura neurológica contra a doença de pequenos vasos cerebrais. Os dados coletados pelo ELSA-Brasil, o maior estudo epidemiológico de coorte da América Latina, demonstraram que o monitoramento rigoroso de fatores como alimentação, exercícios, sono e pressão arterial reduz de forma considerável a incidência de lesões cerebrais severas.

A prática regular de atividades físicas também se destacou como um poderoso método de preservação cognitiva. Voluntários que mantiveram níveis moderados a elevados de exercícios apresentaram uma diminuição expressiva no risco de desenvolver marcadores de danos na microcirculação e atrofia cortical em áreas fundamentais para a memória.

Para a realização dessas análises, os pesquisadores empregaram tecnologias avançadas, como sensores de actigrafia nos pulsos e exames de ressonância magnética de alta resolução. Os achados reforçam que a proteção da saúde cerebral exige tanto políticas públicas de adaptação climática quanto a promoção contínua de estilos de vida saudáveis na terceira idade.

O Fato Paulista continuará acompanhando os desdobramentos de pesquisas científicas sobre saúde pública e bem-estar nas grandes cidades. Continue navegando pelo nosso portal para se manter informado com reportagens aprofundadas, análises contextuais e um jornalismo comprometido com a relevância e a veracidade dos fatos.

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