A descoberta casual feita por um morador enquanto trabalhava em sua propriedade rural revelou importantes vestígios do Egito Antigo na localidade de Behbeit El Hagar, situada na região norte do país. Os fragmentos pertencem a duas peças colossais produzidas durante o período dinástico, reunindo símbolos de poder e inscrições históricas de grande relevância científica.
Após perceber a presença dos blocos esculpidos no solo, o agricultor Khaled el-Shahat comunicou a descoberta às autoridades governamentais. A notificação imediata permitiu a organização de uma expedição de emergência para resgatar, higienizar e analisar o acervo exposto no local.
Escavações no complexo dedicado à deusa Ísis
Equipes especializadas enviadas pelo Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito iniciaram os trabalhos de campo no lado oeste de um antigo complexo religioso dedicado à deusa Ísis. A área já era monitorada por especialistas devido à presença prévia de outros elementos arquitetônicos vinculados ao mesmo período histórico.
Os trabalhos de escavação e documentação buscam preservar as peças diante do avanço da infraestrutura urbana na região. A presença das esculturas no entorno do santuário reforça as análises de que o local passou por grandes intervenções monumentais encomendadas pela realeza.
Estátuas colossais revelam detalhes da realeza egípcia
Entre os materiais localizados, a peça de maior destaque corresponde à parte superior de um monumento que originalmente media cerca de 8,5 metros de altura. O fragmento principal preservado consiste em uma cabeça esculpida com aproximadamente 1,6 metro, ostentando a tradicional coroa dupla.
Na parte posterior dessa escultura, os pesquisadores identificaram uma coluna com gravuras em hieróglifos. O texto registra o nome de Hórus do governante, traduzido como Hor-Ka-Nakht-Mery-Maat, expressão que significa Touro Forte, Amado da Justiça e da Verdade.
A segunda estrutura resgatada possui cerca de 2,4 metros de extensão e apresenta a figura real trajando o nemes, o tecido listrado característico da vestimenta dos monarcas. Junto ao achado, um bloco confeccionado em granito rosa traz gravações que identificam o soberano como filho de Rá e governante do Alto e do Baixo Egito.
A importância política da coroa dupla e os símbolos do faraó
A representação da coroa dupla em monumentos egípcios possuía um significado político e territorial estratégico. O adorno simbolizava formalmente a unificação e a autoridade soberana sobre o Alto e o Baixo Egito, funcionando como propaganda oficial do Estado em templos e edifícios públicos.
As peças são atribuídas ao reinado de Ramsés II, que governou a região aproximadamente entre 1279 a.C. e 1213 a.C.. Durante suas mais de seis décadas no trono, o monarca promoveu campanhas militares e a expansão de grandes obras de engenharia por todo o território sob seu domínio.
Etapas dos trabalhos e a preservação arqueológica no local
Os pesquisadores analisam a relação espacial entre os achados para determinar a função original dos artefatos na estrutura do templo. As frentes de estudo incluem os seguintes procedimentos:
- Catalogação minuciosa de textos e nomes reais gravados nas pedras;
- Mapeamento da procedência geológica do granito e dos demais materiais;
- Busca por bases de sustentação e outros trechos das estátuas no subsolo;
- Implementação de medidas de proteção contra o crescimento urbano do entorno.
A continuidade das investigações arqueológicas na área de Behbeit El Hagar promete trazer novas respostas sobre as técnicas de escultura e as práticas religiosas adotadas no período. Para acompanhar mais reportagens sobre descobertas históricas, patrimônio cultural e atualidades, continue navegando no portal Fato Paulista e fique sempre bem informado.




