Esgoto na APA do Carmo Sabesp nega responsabilidade

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No próximo mês de outubro completa 30 anos que – através de um decreto do então governador Luís Antônio Fleury – foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) Fazenda do Carmo, que na época representou um grande avanço para a preservação de espécies nativas da fauna e da flora. Mais tarde o próprio Parque do Carmo foi anexado a APA e assim o local passou a ser a maior área verde dentro da cidade de São Paulo, com cerca de 4 milhões de M2.
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Porém um pequeno “braço” desta área corta a Gleba do Pêssego, bairro que teria tudo para ser um dos mais nobres desta megalópole, devido a sua localização praticamente ao lado do Parque do Carmo e do Sesc Itaquera, mas não é bem assim, pois o bairro há décadas sofre com problemas estruturais, entre eles a falta de rede de esgoto em diversas residências que segundo o líder comunitário Lucio Santos, há anos é despejado em plena área de proteção ambiental.

Ele procurou a equipe do Fato Paulista para – mais uma vez – reivindicar o esgoto e alertar as autoridades sobre os riscos de deslizamentos, já que muitas casas estão nas encostas e despejando os detritos. “Com as chuvas e o solo já enxarcado por causa do esgoto é muito grande o risco de deslizamentos”, denuncia enquanto mostra para a equipe do Fato Paulista  diversas residências cujo os fundos já estão com rachaduras e fissuras. “Estas casas podem ruir a qualquer momento”, completa.

Ele é morador do bairro há mais de 40 anos e há 3 mandatos é presidente da Sociedade Amigos da Gleba do Pêssego. Ele estima que o bairro tem uma população de cerca de 12 mil pessoas e faz questão de enfatizar que a região não se trata de ocupação: “todos os lotes as famílias compraram junto a Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo)”

“Na época houve o comprometimento por parte da Cohab que seriam construídos os muros de contenção e que os esgotos seriam ligados, mas isso nunca aconteceu”, denuncia.

O líder comunitário mostra os fundos das casas localizadas na rua Rio Birigui. Segundo informou são 12 casas que podem ruir na próxima grande chuva. “Como o esgoto é despejado a céu aberto na APA do Carmo, quando a chuva vem já pega o solo enxarcado e aí que está o risco”, lamenta.

Quando perguntado se ele não teme que a Defesa Civil simplesmente interdite as casas, o ativista social é enfático ao responder que: “A Defesa Civil ao mesmo tempo que comunica o morador que está interditando, dá a opção do mesmo morador assinar um termo de responsabilidade caso deseje continuar no imóvel”.

Lucio dos Santos aponta diversas outras ruas com o mesmo problema. Ele conta que a Sabesp chegou a iniciar as obras inclusive segundo suas palavras: “passou os tubos, divulgou o valor, o inicio e término da obra, só que a obra não foi concluída com a ligação nas casas”, comentou  e ainda falou sobre um suposto “jogo de empurra”, entre Sabesp e Cohab.

Enquanto caminha pelo bairro o líder comunitário vai apontando os problemas como na rua Rio Tefé onde mais de 10 casas segundo ele estão com o solo “oco”. “Uns anos atrás desceu tudo e a Cohab e Sabesp nada fizeram. Com o tempo o mato cresceu e acabou escondendo o problema. Por causa da vegetação não dá para ver daqui, mas está tudo oco”, lamenta.

Mais uma paisagem do dantesco quadro está na rua Durvalina onde 6 casas que estavam em área de risco foram removidas e o espaço foi cedido pela Cohab à Sabesp para a construção de uma elevatória. “O problema é que foram tirados mais de 60 caminhões de terra e a casa que faz divisa com a elevatória ficou toda rachada devido a movimentação das terras. O proprietário já perdeu dois cômodos, sobrou apenas um que ele está morando com a família. Somente Deus na causa”, finaliza.

 

Resposta da Sabesp

 

A Sabesp informa que a Rua Malmequer do Campo é dotada de rede coletora de esgoto e que os imóveis que fazem fundos com o Parque

Natural Municipal Fazenda do Carmo, abaixo do nível da rua, podem elaborar sistema de bombeamento individual para que a Sabesp viabilize suas ligações à rede pública de esgotamento sanitário; ou buscar outra alternativa de modo a não lançar os esgotos na região.

Acrescentamos que todas as instalações antes do ponto de coleta necessárias à conexão com a rede pública são de responsabilidade do proprietário do imóvel e ainda que não compete à Sabesp serviços de estabilização do solo no local.

 

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