A importância da calma e da ação imediata
O engasgo é uma das situações que mais geram pânico entre pais e cuidadores. O fenômeno ocorre quando um alimento, objeto ou até mesmo a própria saliva bloqueia, total ou parcialmente, a passagem de ar para os pulmões, desviando-se do esôfago. Identificar os sinais precoces e saber como proceder nos primeiros minutos é fundamental para garantir a segurança da criança enquanto o socorro especializado não chega.
Ao notar que o bebê está com dificuldade para respirar, tossindo ou apresentando palidez, a primeira recomendação é manter a serenidade. Se o bebê ainda consegue tossir ou chorar, as vias aéreas não estão totalmente obstruídas. Nesses casos, o ideal é permitir que ele tussa naturalmente, evitando introduzir dedos na boca, o que poderia empurrar o objeto para uma posição ainda mais profunda e perigosa.
Manobras de desobstrução em bebês
Quando a obstrução é severa e o bebê para de emitir sons ou apresenta dificuldade respiratória acentuada, a intervenção física torna-se necessária. A manobra recomendada para crianças com menos de um ano consiste em posicionar o bebê de bruços sobre o antebraço, mantendo a cabeça em um nível inferior ao tronco. Com a base da mão, deve-se aplicar cinco palmadas firmes nas costas, na região entre as escápulas.
Caso o objeto não seja expelido, a manobra deve ser alternada. O bebê deve ser virado de frente, ainda apoiado no braço, para que sejam realizadas cinco compressões torácicas utilizando os dedos médio e anular, posicionados logo abaixo da linha dos mamilos. O ciclo deve ser repetido sucessivamente até que a criança retome a respiração, o choro ou a tosse eficaz. Para casos de crianças maiores, a manobra de Heimlich é a técnica indicada.
Procedimentos em casos de inconsciência
Se o quadro evoluir para a perda de consciência, a situação exige manobras de ressuscitação cardiorrespiratória (RCP). O bebê deve ser colocado em uma superfície rígida, com a cabeça levemente inclinada para trás para abrir as vias aéreas. O socorrista deve realizar a respiração boca a boca, cobrindo nariz e boca da criança, seguida de compressões torácicas ritmadas.
É vital que, simultaneamente a essas ações, o SAMU (192) ou o Corpo de Bombeiros (193) seja acionado. Mesmo que o bebê apresente melhora após o desengasgo, a avaliação médica é indispensável. Unidades como o Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, em São Paulo, dispõem de pronto atendimento pediátrico capacitado para realizar exames neurológicos e monitorar os sinais vitais após episódios de asfixia.
Prevenção e causas frequentes
A maioria dos engasgos está relacionada a hábitos alimentares ou ao acesso a objetos pequenos. Alimentar o bebê na posição deitada, não esperar o arroto após a mamada ou oferecer alimentos como grãos e pedaços de frutas escorregadias são fatores de risco comuns. Além disso, a curiosidade natural dos bebês os leva a colocar moedas, botões e pequenas peças de brinquedos na boca, o que exige vigilância constante dos responsáveis.
Engasgos frequentes sem causa aparente podem indicar condições subjacentes, como distúrbios de deglutição ou questões neurológicas. Nesses cenários, o acompanhamento com um pediatra ou neuropediatra é essencial para investigar possíveis patologias. A prevenção, através de um ambiente seguro e técnicas de alimentação adequadas, continua sendo a melhor estratégia de proteção.
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