Em uma iniciativa que une tecnologia de ponta e práticas rurais ancestrais, cerca de 40 ovelhas foram integradas ao cotidiano operacional do parque solar de Westmill, no sul da Inglaterra. A presença dos animais entre as fileiras de painéis fotovoltaicos não é meramente estética; trata-se de uma estratégia de manejo sustentável que substitui o uso de roçadeiras e tratores no controle da vegetação local.
A lógica da integração entre pecuária e energia
Grandes parques solares ocupam extensas áreas de terra que, tradicionalmente, demandam manutenção constante para evitar que o crescimento descontrolado do mato prejudique a eficiência dos equipamentos. A vegetação alta pode causar sombreamento parcial nos módulos, reduzindo a geração de energia, além de dificultar o acesso de equipes técnicas para inspeções e reparos.
Ao introduzir o rebanho no terreno, a usina adota o chamado pastoreio solar. As ovelhas conseguem acessar áreas estreitas e espaços sob as estruturas onde máquinas convencionais teriam dificuldade de operação. Esse método não apenas mantém a grama em níveis adequados, mas também transforma a área da usina em um espaço de dupla utilidade, otimizando o uso do solo sem comprometer a produção elétrica.
Benefícios mútuos no ambiente agrivoltaico
A relação entre os painéis e os animais é simbiótica. Enquanto as ovelhas encontram proteção contra ventos e chuvas sob as estruturas, além de sombra em dias de calor intenso, elas contribuem para a saúde do ecossistema local. O esterco produzido pelo rebanho atua como fertilizante natural, devolvendo nutrientes ao solo e favorecendo a qualidade da forragem.
Diferente da roçada mecânica, que pode compactar o solo e exigir combustível fóssil, o pastoreio é uma solução de baixo impacto. Estudos em sistemas agrivoltaicos indicam que essa prática pode melhorar o microclima sob os painéis e manter a biodiversidade do terreno, desde que o manejo seja realizado com critérios técnicos rigorosos.
O desafio do manejo sazonal e da biodiversidade
A permanência dos animais no parque solar não ocorre de forma aleatória ou ininterrupta. O calendário de pastoreio em Westmill é planejado para respeitar os ciclos naturais da flora e da fauna. A presença excessiva de animais poderia, por exemplo, prejudicar o florescimento de plantas essenciais para polinizadores ou interferir no período de nidificação de aves que habitam o solo.
Por isso, o número de ovelhas é ajustado conforme a disponibilidade de pastagem e as necessidades de conservação da área. Esse acompanhamento sanitário e ambiental é fundamental para garantir que a usina continue sendo um ambiente equilibrado, onde a geração de energia renovável convive harmonicamente com a atividade pecuária e a preservação da natureza.
Uma nova perspectiva para o setor energético
A experiência de Westmill demonstra que a inovação no setor de energia solar não está restrita apenas ao aumento da eficiência dos painéis, mas também na forma como ocupamos o território. Ao integrar ovelhas, os gestores provam que é possível reduzir a dependência de manutenção mecânica pesada e criar um modelo de exploração de terra mais eficiente e sustentável.
O sucesso desse modelo reforça a viabilidade de projetos que combinam produção de energia limpa com atividades rurais tradicionais. À medida que o mundo busca alternativas para a transição energética, soluções como o pastoreio solar oferecem um caminho promissor para o uso inteligente do solo. Continue acompanhando o Fato Paulista para mais reportagens sobre inovações sustentáveis e os impactos da tecnologia no nosso dia a dia.



