Oito em cada dez escolas brasileiras já discutem efeitos das telas na saúde mental, diz TIC Educação

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Pesquisa aponta que 80% das escolas brasileiras debatem impacto das telas na saúde mental. Confira os dados da TIC Educação 2025 sobre o tema.
Oito em cada dez escolas brasileiras já discutem efeitos das telas na saúde mental, diz TIC Educação
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O ambiente escolar no Brasil atravessa uma transformação significativa em sua abordagem sobre o mundo digital. Segundo dados da pesquisa TIC Educação 2025, o debate sobre os impactos das tecnologias na saúde mental dos estudantes tornou-se uma prioridade, estando presente na agenda de 80% das instituições de ensino fundamental e médio do país. O levantamento, realizado pelo Cetic.br, aponta um crescimento expressivo de 18 pontos percentuais em relação a 2024, quando o tema era discutido em 62% das escolas.

Engajamento escolar e a mediação com as famílias

A crescente preocupação dos gestores reflete uma mudança na dinâmica de interação entre a escola e a comunidade. Em 2025, 75% dos diretores realizaram reuniões com pais e responsáveis para tratar especificamente do uso de tecnologias, um aumento notável frente aos 60% registrados no ano anterior. O diálogo interno também se fortaleceu, com 86% das instituições promovendo conversas com professores e demais profissionais sobre o tema.

Além da saúde mental, as pautas escolares expandiram-se para incluir o uso crítico e responsável dos dispositivos digitais, saltando de 56% para 75% de adesão. A educação midiática também ganhou espaço, sendo integrada ao currículo em 67% das escolas, contra 46% no ciclo anterior. Essas iniciativas buscam preparar os alunos para navegar em um ecossistema digital cada vez mais complexo e, por vezes, hostil.

Desigualdades estruturais e barreiras de implementação

Apesar do avanço, a implementação dessas ações enfrenta obstáculos que revelam as disparidades regionais e socioeconômicas do Brasil. Enquanto 72% das escolas urbanas desenvolvem atividades voltadas à educação digital, a execução dessas metas é dificultada pela baixa participação familiar, apontada por 75% dos gestores como um entrave. A escassez de materiais de apoio e recursos pedagógicos adequados também aparece como um desafio central, afetando 64% das instituições.

Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, ressalta que a equidade na educação digital depende de políticas públicas estruturadas. Para a especialista, a escola não pode carregar o fardo sozinha; é necessário um suporte que integre o Estado, as famílias e o ambiente educacional para garantir que a tecnologia seja, de fato, uma ferramenta de aprendizado e não um fator de risco.

Regulação e o uso de celulares em sala de aula

O controle sobre o uso de aparelhos celulares pessoais segue como um tema sensível. Atualmente, 51% das escolas proíbem que os alunos levem o dispositivo para o ambiente escolar, uma medida mais comum em instituições que atendem os anos iniciais. Nas escolas onde o uso é permitido, a gestão varia entre o armazenamento em locais específicos ou a autorização para fins pedagógicos, prática que se torna mais frequente em regiões com menor acesso a computadores, como o Norte e o Nordeste.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, reforça que a proteção de crianças e jovens exige uma atuação coordenada. A regulação das plataformas digitais e o entendimento sobre o funcionamento de algoritmos e sistemas de inteligência artificial são vistos como pilares para a segurança no ambiente virtual. A busca por orientação por parte das famílias, que procuraram as escolas em 49% dos casos, demonstra que a demanda por mediação é crescente e urgente.

A chegada da inteligência artificial nas salas de aula

Pela primeira vez, o estudo mapeou a presença da inteligência artificial (IA) generativa na gestão escolar. Embora 53% dos gestores já utilizem ferramentas de IA para tarefas administrativas e pedagógicas, como a criação de comunicados e revisão de textos, a formalização desse uso ainda é incipiente. Apenas 22% das escolas possuem um guia de orientações sobre a tecnologia.

No que tange aos alunos, 37% das instituições permitem o uso de IA em tarefas educacionais. Esse cenário aponta para um futuro onde a alfabetização em IA será tão necessária quanto a alfabetização básica, exigindo que as escolas brasileiras se preparem para integrar essas ferramentas de forma ética e segura. O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos da tecnologia na educação e o impacto dessas mudanças na formação das novas gerações. Continue conosco para mais análises sobre os temas que moldam o futuro do país.

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