O dia 22 de agosto marca, anualmente, a celebração do Dia do Folclore Brasileiro. Mais do que uma data no calendário, o período é um convite para refletir sobre a identidade nacional e a preservação das manifestações que definem o modo de pensar, sentir e agir de um povo. A origem do termo remonta a 1846, quando o pesquisador britânico William John Thoms uniu os vocábulos folk (povo) e lore (conhecimento) para descrever as tradições populares que resistem ao tempo.
Raízes históricas e a força da cultura paulista
No Brasil, a oficialização da data ocorreu em 1965, por meio do Decreto n° 56.747. O estado de São Paulo, reconhecendo a profundidade dessas raízes, instituiu ainda em 1967, pelo Decreto 48.310, o Mês do Folclore. Essa iniciativa reforça o papel do estado como um caldeirão cultural, onde a miscigenação entre povos indígenas, europeus e africanos moldou um patrimônio imaterial vasto e heterogêneo.
O folclore paulista não é uma peça de museu, mas uma prática viva. Ele se manifesta na gastronomia, nas festas religiosas e nos folguedos que percorrem o interior e a capital. A relevância social dessas celebrações reside na manutenção de laços comunitários e na transmissão de saberes que, muitas vezes, não encontram espaço nas instituições eruditas, mas que permanecem pulsantes na memória coletiva.
Manifestações que definem a identidade regional
A diversidade de São Paulo é visível em suas expressões artísticas e religiosas. Entre os folguedos, destacam-se a Cavalhada, que encena o embate histórico entre mouros e cristãos, e o Caiapó, que preserva elementos da cultura indígena. Já no campo religioso, festas como a do Bom Jesus, celebrada em municípios como Iguape e Pirapora do Bom Jesus, e as festividades de São Benedito, reúnem multidões em demonstrações de fé e tradição.
A música e a dança também ocupam lugar de destaque. Ritmos como o Jongo, com suas letras codificadas de origem africana, a Catira, com o som das palmas e pés, e o Cururu, que desafia violeiros em versos improvisados, são pilares da cultura caipira e rural. Essas manifestações são o espelho de uma história que se recusa a ser esquecida, mantendo viva a conexão com o passado em um mundo cada vez mais globalizado.
Lendas e o imaginário popular
O imaginário paulista é povoado por figuras que atravessam gerações. O Saci-Pererê, presente em cidades como Botucatu e São Luiz do Paraitinga, e o Lobisomem de Joanópolis são exemplos de como as lendas se territorializam. Em Olímpia, reconhecida como a Capital Nacional do Folclore, o Curupira é celebrado como o guardião das matas, enquanto o Corpo Seco assombra o imaginário de moradores em São José dos Campos e Paraibuna.
Essas narrativas, que incluem ainda a Iara, o Boitatá e a Mula sem Cabeça, funcionam como ferramentas de educação e preservação ambiental, incutindo respeito pela natureza e pelos costumes locais. Conhecer essas histórias é, em última análise, compreender a própria formação do povo brasileiro.
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