O governo federal oficializou, nesta sexta-feira (25), o lançamento da terceira fase do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 3.0. Diferente das etapas anteriores, que focavam na mediação entre credores e devedores, a nova estratégia da União prevê a compra direta de carteiras de dívidas inadimplidas por meio de leilões. O objetivo central é utilizar o poder de negociação do Estado para obter descontos agressivos, que serão repassados integralmente aos consumidores.
A medida, instituída via Medida Provisória, busca atacar o estoque de inadimplência que, em agosto de 2026, somava R$ 592 bilhões no país. Com essa mudança de paradigma, a expectativa é que até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas, com um potencial de R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis para o processo de limpeza de nome e regularização financeira.
Mecânica dos leilões e repasse de descontos
O funcionamento do Desenrola 3.0 será estruturado em etapas competitivas. A União realizará leilões para adquirir carteiras de débitos, onde os credores deverão oferecer propostas com deságio mínimo de 90%. Isso significa que, em uma dívida original de R$ 10 mil, o valor de negociação pode cair para R$ 1 mil, facilitando drasticamente a quitação pelo cidadão.
Após a compra, o desconto obtido pelo governo é transferido ao devedor. O consumidor terá a opção de quitar o saldo à vista ou optar por um parcelamento, cujas condições específicas ainda serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A iniciativa visa não apenas aliviar o orçamento das famílias, mas também reaquecer o consumo ao retirar milhões de brasileiros do cadastro de negativados.
Critérios de elegibilidade e público-alvo
Para participar desta nova etapa, as dívidas precisam se enquadrar em requisitos específicos de valor e tempo de atraso. O programa contempla débitos bancários e não bancários — como contas de energia, água, telefonia e varejo — com valor original de até R$ 10 mil. O período de inadimplência deve estar compreendido entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.
O Ministério da Fazenda mantém a prerrogativa de estabelecer critérios adicionais, como faixas de renda ou prioridades sociais, para otimizar o alcance do programa. A organização dos leilões será feita em lotes, separando as naturezas das dívidas para garantir maior eficiência na disputa entre os credores.
Cronograma de implementação e orçamento
A operacionalização do Desenrola 3.0 será gradual. Após a publicação da medida provisória, o cronograma prevê o chamamento dos credores para novembro de 2026, com a entrega das propostas em dezembro. A homologação dos vencedores ocorrerá em janeiro de 2027, permitindo que, a partir de fevereiro de 2027, os consumidores comecem a efetivar a quitação ou o parcelamento de seus débitos.
O custo estimado para a União adquirir essas carteiras é de R$ 15 bilhões, com previsão de aporte nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028. Os dados do Tesouro Nacional reforçam a urgência da medida: atualmente, cerca de 83,9 milhões de brasileiros possuem restrições de crédito, com uma média de quatro dívidas por pessoa, sendo que a maioria dos negativados é composta por mulheres.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos do Desenrola 3.0 e as próximas definições do CMN sobre as regras de parcelamento. Continue acessando nosso portal para se manter informado sobre as políticas públicas que impactam diretamente o seu bolso e a economia nacional.
Para mais detalhes técnicos sobre a medida, consulte a fonte oficial em Agência Brasil.




