
O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho sólido no trimestre encerrado em maio, atingindo a marca de 5,6% de taxa de desemprego. O índice, divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa o menor patamar já registrado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.
Tendência de aquecimento no mercado de trabalho
O resultado reflete uma trajetória de recuperação e expansão na oferta de vagas. Em comparação ao trimestre móvel imediatamente anterior, que compreendeu os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, houve uma queda em relação aos 5,8% registrados. Quando o recorte é feito em relação ao mesmo período de 2025, a redução é ainda mais expressiva, saindo de 6,2% para o patamar atual.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, os dados confirmam que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento. A capacidade da economia em absorver mão de obra tem sido o principal motor para a redução do contingente de desocupados, que hoje soma 6,1 milhões de pessoas, uma queda de 9,3% em relação ao ano passado.
Crescimento da população ocupada
A força de trabalho no país atingiu a marca de 102,7 milhões de pessoas ocupadas no trimestre terminado em maio. Esse número representa um incremento de 0,5% frente ao trimestre anterior, o que significa a entrada de 558 mil novos trabalhadores no mercado. A Pnad Contínua considera como ocupados todos os indivíduos com 14 anos ou mais que exerceram alguma atividade remunerada, incluindo trabalhadores com ou sem carteira assinada, autônomos e temporários.
Para fins estatísticos, o IBGE define como desocupada apenas a pessoa que, além de não ter trabalho, buscou ativamente por uma vaga nos 30 dias que antecederam a entrevista. A abrangência da pesquisa é vasta, visitando 211 mil domicílios em todas as unidades da federação.
Renda e qualidade do emprego
Além da quantidade de postos de trabalho, a qualidade da ocupação e o rendimento são pontos cruciais para entender a economia. O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.726. Embora tenha apresentado estabilidade em relação ao trimestre anterior, o valor representa um ganho real de 4% na comparação com o mesmo período de 2025, já descontada a inflação.
A taxa de informalidade também apresentou recuo, situando-se em 37,3%, o que equivale a 38,3 milhões de trabalhadores. Um ano antes, esse índice era de 37,8%. Vale lembrar que o IBGE classifica como informais aqueles que não possuem garantias trabalhistas básicas, como seguro-desemprego, férias remuneradas e décimo terceiro salário.
Seguridade e marcos históricos
A pesquisa trouxe ainda dados sobre a proteção social dos trabalhadores. Cerca de 66,6% dos ocupados, ou 68,4 milhões de pessoas, contribuíram para a previdência oficial. Esse grupo inclui empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria que mantêm o vínculo com o INSS ou regimes próprios, garantindo acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio por incapacidade.
O cenário atual contrasta fortemente com os períodos de crise severa. Enquanto o menor desemprego já registrado na série histórica foi de 5,1%, no último trimestre de 2025, o pico da desocupação ocorreu durante a pandemia de covid-19, atingindo 14,9% nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e março de 2021.
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