O cenário das contas públicas brasileiras apresentou uma deterioração significativa no mês de maio de 2026. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o setor público consolidado — que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais — registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões. O número chama a atenção por superar consideravelmente o resultado negativo de R$ 33,7 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.
O relatório de Estatísticas Fiscais detalha que o resultado negativo foi puxado majoritariamente pelo Governo Central, composto pelo Tesouro Nacional, pelo próprio Banco Central e pela Previdência Social, que sozinho respondeu por um déficit de R$ 55,2 bilhões. Os governos regionais contribuíram com um saldo negativo de R$ 1,2 bilhão, enquanto as empresas estatais apresentaram um leve superávit de R$ 0,3 bilhão.
Impacto dos juros e pressão sobre a dívida
Além do déficit primário, que reflete a diferença entre receitas e despesas sem considerar o pagamento de juros, o peso da dívida tem se tornado um desafio crescente. Os gastos com juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões apenas em maio, um salto em relação aos R$ 92,1 bilhões registrados em maio de 2025. Esse movimento é reflexo direto do aumento no estoque do endividamento líquido do país.
No acumulado de 12 meses, os juros nominais alcançaram a marca de R$ 1,11 trilhão, o que representa 8,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Quando somamos o déficit primário a esses custos financeiros, o resultado nominal do setor público consolidado atinge um déficit de R$ 163,7 bilhões no mês, evidenciando a pressão que o serviço da dívida exerce sobre a capacidade de investimento e gestão orçamentária do Estado.
Crescimento da dívida pública e variáveis macroeconômicas
A Dívida Líquida do Setor Público alcançou R$ 8,9 trilhões, equivalente a 67,9% do PIB. O Banco Central aponta que essa elevação mensal de 0,7 ponto percentual foi influenciada por uma combinação de fatores, incluindo a apropriação de juros nominais, o próprio déficit primário e a variação do PIB nominal. A desvalorização cambial, embora tenha tido um efeito marginal no mês, compõe o cenário complexo de gestão da dívida ao longo do ano.
Paralelamente, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu R$ 10,6 trilhões, ou 81,1% do PIB. Esse indicador, que é acompanhado de perto por agências de classificação de risco e investidores internacionais, subiu 0,9 ponto percentual em relação a abril. O aumento é atribuído, em grande parte, às emissões líquidas de dívida e ao impacto contínuo da conta de juros sobre o estoque total.
Perspectivas para a economia brasileira
O acumulado de 12 meses até maio revela um déficit primário de R$ 149 bilhões, correspondente a 1,14% do PIB. Esse dado reforça a necessidade de acompanhamento constante sobre a trajetória das contas públicas. A estabilidade ou a redução desses indicadores é fundamental para a ancoragem das expectativas econômicas e para a sustentabilidade do crescimento do país a longo prazo.
O Fato Paulista segue acompanhando de perto os desdobramentos da política econômica e os próximos relatórios do Banco Central. Nosso compromisso é levar até você uma análise clara e fundamentada sobre os temas que impactam diretamente o seu bolso e o futuro do Brasil. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade.




