Monitoramento fitossanitário é obrigatório para produtores de citros em São Paulo
Os produtores de citros do estado de São Paulo têm um compromisso importante com a sanidade de seus pomares nas próximas semanas. A Defesa Agropecuária, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), estabeleceu o dia 15 de julho como o prazo final para a entrega do relatório semestral referente ao controle de cancro cítrico e greening (HLB). O documento deve ser preenchido por meio do sistema informatizado de Gestão de Defesa Animal e Vegetal, o GEDAVE.
O relatório deve consolidar todas as vistorias trimestrais realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. A exigência abrange a totalidade das plantas cítricas presentes nas propriedades paulistas, independentemente da idade do pomar. A transparência desses dados é fundamental para que o governo estadual consiga mapear a dispersão das doenças e planejar ações estratégicas de defesa fitossanitária.
A importância do controle de doenças na citricultura
O greening, ou HLB, é atualmente a maior ameaça à citricultura mundial. Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitida pelo inseto Psilídeo, a doença não possui cura. Uma vez infectada, a planta torna-se uma fonte permanente de inóculo, colocando em risco toda a produção vizinha. Já o cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri pv. citri, provoca lesões severas em folhas e frutos, resultando em queda prematura e prejuízos econômicos significativos.
Desde 2017, São Paulo opera sob o Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o cancro cítrico. Essa estratégia permite que o estado mantenha padrões de proteção rigorosos, garantindo a viabilidade comercial dos frutos tanto no mercado interno quanto nas exportações. O não cumprimento das obrigações de monitoramento e a omissão de dados sujeitam o produtor a sanções administrativas previstas no Decreto Estadual Nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.
Novas diretrizes e regionalização do combate ao HLB
Recentemente, a Resolução SAA nº 32 de 2026 trouxe mudanças significativas para o setor. Uma das principais inovações é a exigência do monitoramento quinzenal do Psilídeo em todos os pomares, visando interromper o ciclo de vida do inseto vetor. Além disso, o estado adotou uma política de regionalização, classificando os municípios conforme a incidência da doença.
Em áreas de alta incidência, onde o controle se torna um desafio maior, a legislação flexibilizou a erradicação compulsória de árvores adultas, mantendo a obrigatoriedade apenas para plantas com até três anos. Em contrapartida, nos municípios de baixa incidência, a erradicação de plantas doentes permanece rigorosamente obrigatória para todas as faixas etárias. Outra medida de segurança é a obrigatoriedade do processamento e escovação de frutas destinadas ao transporte interestadual, visando eliminar possíveis vetores, com exceção da Tangerina Ponkan.
O compromisso com a sanidade vegetal é um pilar para a sustentabilidade do agronegócio paulista. Para se manter atualizado sobre as políticas públicas, normas de defesa agropecuária e os desdobramentos que impactam diretamente o campo, continue acompanhando as reportagens do Fato Paulista. Nosso portal segue dedicado a levar informação de qualidade, com o rigor e a profundidade que o produtor rural e a sociedade precisam.
Para mais detalhes sobre as normas vigentes, consulte o portal oficial da Agência SP.




