A histórica cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, tornou-se o epicentro da discussão sobre a memória nacional durante a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. O evento, que teve início na noite de quinta-feira (25) com a Praça Tiradentes lotada, reafirmou seu compromisso com a salvaguarda do patrimônio cinematográfico brasileiro, trazendo como tema central a reflexão: Um País Existe nas Imagens que Preserva.
Novo centro de referência em preservação audiovisual
Um dos anúncios mais aguardados da mostra foi a criação de um Centro de Referência em Preservação Audiovisual. A iniciativa, apresentada pelo reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Thiago Matos Pinto, é fruto de uma parceria estratégica com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv). O projeto visa estruturar um espaço permanente dedicado ao ensino, à pesquisa e à extensão, fortalecendo a formação de profissionais especializados em um setor vital para a cultura nacional.
Caso receba a aprovação das instâncias institucionais competentes, o centro contará com infraestrutura própria e orçamento dedicado. A medida é vista como um passo fundamental para garantir que o acervo fílmico do país não apenas sobreviva ao tempo, mas seja devidamente catalogado e acessado pelas futuras gerações.
A importância da memória como identidade nacional
Durante a cerimônia de abertura, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, enfatizou que a preservação de imagens é, em última análise, a preservação da própria identidade brasileira. Segundo ela, o desaparecimento de um arquivo audiovisual não representa apenas a perda de um suporte físico, mas o apagamento de uma memória coletiva e a interrupção de possibilidades de autorreconhecimento do país.
A edição deste ano também prestou uma homenagem à cineasta Helena Solberg, de 88 anos. A diretora foi agraciada com o Troféu Vila Rica e pôde acompanhar a exibição de versões restauradas de suas obras seminais, A Entrevista e Meio-Dia, ambas produzidas no início da década de 1960. O momento celebrou a trajetória de uma das figuras mais importantes do cinema nacional.
Educação e o futuro das plateias
Além da preservação técnica, a mostra dedica atenção especial à formação de público através do Cine Expressão. Este segmento foca na relação entre estudantes de escolas públicas de Ouro Preto e a linguagem cinematográfica. A curadora Ramina El Shadai defende uma abordagem que priorize a experiência do jovem diante da tela, observando suas reações e potências antes de focar estritamente na formação de plateia.
Após as sessões, os alunos participam de debates mediados, onde sentimentos e temas sociais são explorados. A estratégia busca criar um forte sentimento de pertencimento, garantindo que o interesse pelo cinema se desenvolva de forma orgânica e duradoura entre as novas gerações.
Fórum de debates e políticas públicas
A CineOP funciona como um ponto de encontro nacional para especialistas, gestores culturais e acadêmicos. Ao longo da programação, que segue até terça-feira (30), fóruns discutem políticas públicas, acesso a acervos e o papel das cinematecas na sociedade contemporânea. O objetivo é consolidar propostas concretas para fortalecer o setor audiovisual brasileiro.
Todas as atividades da mostra são gratuitas, e parte da programação pode ser acompanhada remotamente através da plataforma oficial do evento. O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos deste festival, que reafirma a importância da cultura como pilar de desenvolvimento e memória. Continue conosco para mais atualizações sobre o cenário cultural brasileiro e os principais eventos que movimentam o país.




