A capital paulista enfrenta um cenário climático sem precedentes neste mês. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmam que os primeiros 14 dias de setembro de 2026 já tornaram este o período mais chuvoso na cidade desde o início da série histórica, em 1943. O acumulado registrado na estação do Mirante de Santana, na zona norte, atingiu a marca de 253,8 milímetros até a manhã desta segunda-feira (14).
O volume impressiona pela intensidade, superando em três vezes a média climatológica esperada para todo o mês, que é de 83,3 milímetros. Com essa marca, a capital ultrapassa o recorde anterior, que pertencia ao ano de 1983, quando foram contabilizados 243,1 milímetros. A tendência é que esses números continuem a subir, visto que a previsão meteorológica indica a persistência de instabilidades nos próximos dias.
Impacto das chuvas e mobilização do estado
Diante da gravidade da situação, o Governo de São Paulo mantém o Gabinete de Crise em operação permanente desde a última sexta-feira (11). A estrutura, sediada na Defesa Civil, integra órgãos essenciais como o Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária, agências reguladoras e concessionárias de serviços públicos. O objetivo é monitorar em tempo real os riscos de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social.
O meteorologista da Defesa Civil, William Minhoto, alerta que o solo encharcado eleva o nível de atenção para desastres naturais. Mesmo com a previsão de afastamento gradual dos sistemas de instabilidade, a circulação marítima deve manter o tempo úmido e com chuvas persistentes na faixa leste paulista nos próximos dias, exigindo cautela redobrada da população.
Recordes regionais e abrangência do fenômeno
O excesso de precipitação não se restringiu à capital. Diversas regiões do estado enfrentam volumes históricos que superam as médias esperadas para o período. Em Campinas, por exemplo, o acumulado de 257,2 milímetros entre os dias 1º e 13 de setembro representa o maior índice para o mês desde 1961, superando o recorde de 1976.
Outras localidades também apresentam números expressivos:
- Registro: 185,3 mm, o terceiro maior volume desde 1961.
- São José dos Campos: 161 mm, terceira maior marca desde 1977.
- Baixada Santista: 232,7 mm, quase o dobro da média climatológica.
- Bauru: 118,8 mm, volume que representa 1,9 vez a média mensal.
Previsão e cuidados para os próximos dias
A previsão para terça-feira (15) aponta para a continuidade de pancadas isoladas, que podem vir acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento. O ar mais frio, que ingressa no estado, deve manter as temperaturas mais amenas, reduzindo a sensação de calor, mas mantendo a umidade elevada.
A partir de quarta-feira (16), embora o sistema meteorológico principal deva se afastar, a circulação marítima continuará favorecendo chuvas fracas e persistentes na faixa leste. O monitoramento permanece rigoroso, pois o risco geológico em encostas e áreas de várzea permanece alto devido ao acúmulo de água no solo. A recomendação das autoridades é que moradores de áreas de risco acompanhem os boletins oficiais e sigam as orientações de segurança.
O Fato Paulista segue acompanhando o desdobramento das condições climáticas em todo o estado de São Paulo. Continue conosco para se manter informado sobre as atualizações da Defesa Civil e os impactos do clima em nossa região, com o compromisso de levar até você um jornalismo sério, apurado e transparente.




