Dados detalhados do Censo 2022, divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trazem um retrato preocupante sobre a qualidade de vida da população brasileira. O levantamento aponta que pessoas com deficiência enfrentam condições de moradia significativamente inferiores em comparação aos demais cidadãos, evidenciando barreiras que vão desde o saneamento básico até o acesso à tecnologia e mobilidade urbana.
Saneamento básico e infraestrutura residencial
A disparidade no acesso a serviços essenciais é um dos pontos mais críticos do estudo. Enquanto 63,1% das pessoas sem deficiência residem em lares conectados à rede de esgoto ou com fossas adequadas, esse índice cai para 59,8% entre as pessoas com deficiência. O cenário se repete no abastecimento de água potável e na coleta de resíduos, onde os indicadores de cobertura são sistematicamente menores para este grupo populacional.
A precariedade também se manifesta na estrutura física das habitações. O IBGE identificou que lares habitados por pessoas com deficiência apresentam taxas ligeiramente maiores de ausência de banheiro exclusivo e uso de materiais não duráveis nas paredes externas. Apenas 56,6% dessas residências possuem acesso pleno aos três serviços básicos de saneamento, um desafio que impacta diretamente a saúde e o bem-estar diário.
Barreiras no cotidiano e na tecnologia
A exclusão digital também se mostra como um entrave relevante. Apenas 78,9% dos domicílios com pessoas com deficiência possuem acesso à internet, contra 90,2% nos lares sem essa condição. Essa lacuna reflete-se na posse de bens de consumo, como máquinas de lavar, presentes em 60,4% das casas do primeiro grupo, enquanto a média entre os demais chega a 68,9%.
Curiosamente, o único indicador favorável às pessoas com deficiência é o de adensamento excessivo, com menor taxa de ocupação por dormitório. Segundo o pesquisador do IBGE, Leonardo Queiroz Athias, esse dado é influenciado pelo perfil demográfico. Como uma parcela expressiva desse público é composta por idosos, é comum que residam sozinhos em domicílios unipessoais, o que distorce a percepção de conforto habitacional.
Desafios na mobilidade e no mercado de trabalho
O deslocamento diário para o trabalho revela uma rotina mais exaustiva. Em média, pessoas com deficiência gastam 37 minutos no trajeto, 12% a mais do que os 33 minutos registrados entre trabalhadores sem deficiência. A dependência de transporte público, como ônibus e BRT, é maior, assim como a necessidade de realizar percursos a pé ou de bicicleta, evidenciando a falta de infraestrutura urbana adaptada.
Representação política e serviço público
O cenário político apresentou um recuo preocupante. Entre os pleitos de 2020 e 2024, o número de pessoas com deficiência eleitas caiu de 578 para 415, com quedas expressivas tanto nas candidaturas quanto nas vitórias para cargos de vereador e prefeito. O fenômeno, classificado como uma piora na representação, contrasta com o avanço observado no setor público federal.
No governo federal, a presença de servidores com deficiência subiu de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025. O crescimento, impulsionado em parte pela identificação de servidores com transtorno do espectro autista (TEA), também alcançou cargos comissionados de níveis mais elevados, embora a trajetória de inclusão ainda precise ser consolidada em todas as esferas da administração pública e na gestão municipal, onde a oferta de políticas de acessibilidade permanece heterogênea pelo país.
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Para mais informações sobre os indicadores sociais, consulte o portal oficial do IBGE.




