Cena da novela Um Lugar ao Sol acende luz de alerta quanto a adoção

PUBLICIDADE
Em capítulo recente uma cena chocou os telespectadores. A personagem Barbara , vivida pela atriz Aline Moraes, que havia adotado uma criança, simplesmente a devolve desistindo da adoção depois de um desentendimento com marido Renato, vivido por Cauã Raymond.
PUBLICIDADE

Mas mesmo sendo uma cena que chocou, valeu pela mensagem de que é necessário, muito necessário mesmo, os aspirantes a adotantes ‘saberem o que querem’. Necessário ter certeza e segurança quanto a adoção, pois a abrupta ‘devolução’ de uma criança, como se mercadoria fosse, pode gerar um trauma muitas vezes irreversível a criança e adolescente, que muitas vezes já foram vitimadas pelo abandono.

Sobre o tema ‘responsabilidade em adotar’, o Fato Paulista ouviu a psicóloga Dra. Amanda Hayala, que é coordenadora do Departamento de Psicologia da Acaapesp – Associação dos Consultores, Assessores e Articuladores Políticos do Estado de São Paulo, que é uma das maiores entidades classistas do Brasil, com sedes regionais em mais de 100 municípios.

Em entrevista ao Fato Paulista on line, ela destacou que nos últimos anos houve um aumento no envolvimento de famílias no processo de adoção, tema este que traz muitas questões carregadas de emoção e muitas controvérsias.

Por desenvolver uma série de iniciativas de alcance social, a Dra Amanda acaba vivendo de perto a realidade de famílias oriundas das mais diversas classes sociais.

‘É necessário a conscientização dos pais, terem a certeza de que o que eles querem é um filho, forma sintônica neste processo, pois o desejo de ter esta criança representa algo inconscientemente para cada parte’, destaca.

A coordenadora de Psicologia da Acaapep alerta para a necessidade dos pais refletirem muito antes de dar entrada em um processo de adoção. ‘Para o processo de adoção é necessário o auxílio de um profissional da área da psicologia, pois lidamos com sofrimento de ambas as partes, tanto dos candidatos quanto da criança/adolescente, o medo de lidar com o novo é presente sendo especificamente o processo de adaptação entre as partes’, destaca.

E faz questão de enfatizar, que muitas vezes uma criança que está para ser adotada, já poder ter sido abandonada e um novo abandono através de uma cruel ‘devolução’ pode gerar um trauma até mesmo irreversível. ‘ É de extrema importância que os pais sejam conscientes que a  adoção trata-se muitas vezes de um fruto de um abandono. E o questionamento da criança/ adolescente do porquê foi abandonado é muito presente, há uma ferida narcísica, por eles não terem sido amados pelos pais biológicos, onde a história contada pelos pais adotivos em relação aos pais biológicos pode melhorar a autoestima da criança.’, enfatiza

‘ Outro sentimento observado é o medo de serem devolvidos, ou seja, para criança/adolescente a devolução pode ocasionar  um duplo desamparo e a consequente reinstitucionalização da criança ou adolescente, gerando, assim, imenso sofrimento de  abandono podendo ocasionar deficiências no seu comportamento mental e social para o resto da vida, a criança pode se isolar do convívio de outras pessoas, apresentar problemas escolares, depressão, tristeza, baixa autoestima, além de problemas de saúde. Além do desrespeito da dignidade da criança/adolescente’, finaliza.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário