
O Instituto Butantan segue com o cronograma de ensaios clínicos da Butantan-DV, sua vacina de dose única contra a dengue, com foco ampliado para a população acima de 60 anos. Mesmo diante de debates sobre a estratégia de imunização nacional, o estudo científico permanece ativo e sob rigoroso monitoramento, buscando validar a segurança e a eficácia do imunizante para uma das faixas etárias mais vulneráveis às complicações da doença.
dengue: cenário e impactos
Avanço do estudo e perfil dos voluntários
Iniciado em 13 de janeiro, o projeto de pesquisa está concentrado em cinco centros de referência localizados no Rio Grande do Sul e no Paraná. O objetivo central é avaliar a resposta imunológica em pessoas de 60 a 79 anos, utilizando como parâmetro comparativo um grupo controle composto por adultos entre 40 e 59 anos.
Os dados mais recentes do painel de monitoramento indicam que o recrutamento atingiu 74% da meta estabelecida. Até 12 de junho de 2026, foram randomizados 736 voluntários, sendo que 733 já receberam a aplicação. Deste total, 545 participantes possuem mais de 60 anos, reforçando o compromisso do instituto em gerar dados robustos para essa parcela da população.
Segurança e monitoramento em ambiente controlado
Apesar da interrupção temporária da aplicação da Butantan-DV no Sistema Único de Saúde (SUS) para investigações de segurança, o ensaio clínico segue ininterrupto. A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, enfatiza que os voluntários estão inseridos em um ambiente de monitoramento constante, o que garante um controle rigoroso sobre qualquer reação adversa.
O gestor médico de desenvolvimento clínico, Érique Miranda, reforça que a inclusão de novos voluntários continua ocorrendo. Segundo o especialista, o estudo visa atingir 997 participantes, um volume necessário para detectar eventos adversos raros, com taxa de incidência em torno de 0,5%, garantindo que a vacina seja segura para a nova faixa etária antes de qualquer recomendação de uso em larga escala.
Estratégia regional e relevância científica
A escolha da região Sul para os testes não foi aleatória. Cidades como Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e Curitiba, no Paraná, apresentam baixa prevalência de dengue, com exposição prévia ao vírus estimada entre 5% e 10%. Esse cenário permite que os pesquisadores obtenham dados de soroconversão mais precisos e de maior qualidade, sem a interferência de infecções prévias frequentes.
A Butantan-DV, que já possui aprovação da Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos, demonstrou em estudos publicados na revista Nature Medicine uma eficácia global de 65%. O índice sobe para 80,5% quando se trata da prevenção de casos de dengue grave e quadros com sinais de alarme, números que justificam a urgência em estender a proteção aos idosos, grupo com maior risco de óbito pela enfermidade.
O Fato Paulista continua acompanhando o desenvolvimento das pesquisas do Instituto Butantan e os desdobramentos das políticas públicas de saúde no Brasil. Mantenha-se informado sobre os avanços científicos e as notícias que impactam o seu dia a dia através do nosso portal, que preza pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a informação de qualidade.




