As equipes de resgate no Nepal intensificaram, nesta segunda-feira (7), os esforços para localizar mais de 100 trabalhadores de usinas hidrelétricas que permanecem desaparecidos. O grupo pode estar preso em uma vasta rede de túneis, dias após uma série de resgates considerados milagrosos em meio aos escombros deixados pelas enchentes que devastaram a região fronteiriça com a China.
O cenário de destruição, iniciado em 26 de agosto, foi desencadeado pelo colapso de parte de uma geleira, que liberou uma massa colossal de lama e rochas sobre o leito de um rio. O desastre deixou um rastro de devastação, com pelo menos 1.380 mortos e mais de 5.500 desaparecidos entre o Nepal e o Tibete. A situação é acompanhada com apreensão enquanto o país marca o 13º dia após a tragédia, período que, nos ritos hindus, encerra o ciclo oficial de luto.
Esperança em meio à tragédia nos túneis
A possibilidade de encontrar sobreviventes nestes espaços subterrâneos mantém as equipes de busca mobilizadas. Segundo parlamentares envolvidos na operação, como Shri Ram Neupane, a estrutura dos túneis em projetos como o de Chilime, no distrito de Rasuwa, apresenta características que podem ter permitido a sobrevivência de algumas pessoas. A existência de bolsas de ar e salas de abrigo reforça a tese de que o tempo ainda é um aliado crítico para o resgate.
O otimismo, ainda que cauteloso, foi alimentado por resgates recentes. No último sábado (5), um cidadão chinês foi retirado com vida de um túnel, somando-se a outros dois trabalhadores resgatados na sexta-feira (4) e a uma mulher nepalesa encontrada sob os escombros de sua própria residência. Para otimizar o trabalho, o governo nepalês solicitou apoio internacional, incluindo drones de alta capacidade, kits de teste de DNA e equipamentos especializados para intervenções em túneis.
Impacto social e ritos de luto
O 13º dia após o desastre é um marco simbólico profundo para a sociedade nepalesa. Em sinal de respeito às vítimas, o Ministério do Interior determinou que as bandeiras nacionais sejam hasteadas a meio-mastro em todo o país e nas representações diplomáticas no exterior. O presidente Ram Chandra Paudel realizou uma visita às áreas mais afetadas para avaliar a extensão dos danos e prestar solidariedade às famílias atingidas.
Apesar da importância da data, o governo optou por não realizar eventos oficiais de grande porte. A prioridade absoluta permanece nas operações de busca e resgate, conforme reiterado pelo Centro Nacional de Operações de Emergência (NEOC). A tragédia também atingiu duramente o setor de peregrinação, com muitos desaparecidos sendo turistas ou devotos que visitavam locais sagrados como o Lago Mansarovar e o Monte Kailash.
Cooperação internacional e gestão de crise
A colaboração com a China tem sido um ponto central na resposta ao desastre. Autoridades chinesas confirmaram a recuperação de mais 12 corpos no Tibete e prometeram transparência na divulgação de informações, após pressão de famílias de estrangeiros desaparecidos. Pela primeira vez desde o início da crise, Pequim permitiu que veículos de mídia internacional, como a Reuters, acessassem as zonas afetadas para acompanhar o trabalho das equipes.
Além da busca por trabalhadores, o governo tem lidado com desafios logísticos complexos, incluindo a segurança em áreas de risco. Em um episódio notável, agentes de segurança da prisão distrital de Nuwakot conseguiram salvar 923 detentos ao transferi-los para um local elevado antes da chegada da enxurrada. A resiliência das equipes de resgate e a coordenação entre os países vizinhos seguem sendo os pilares para minimizar as perdas humanas nesta catástrofe climática sem precedentes.
O Fato Paulista segue acompanhando o desenrolar das operações de resgate no Nepal e os desdobramentos sobre as causas climáticas deste desastre. Continue conosco para se manter informado com notícias apuradas, contexto global e análises sobre os fatos que impactam o mundo.




