A Seleção Brasileira se prepara para um confronto de grande importância neste domingo, 5 de julho, às 17h (horário de Brasília), em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Além de garantir a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo, o Brasil tem pela frente a missão de encerrar dois tabus históricos que assombram a equipe em Mundiais: conquistar a primeira vitória contra a Noruega e, finalmente, superar um adversário europeu em um jogo eliminatório.
Este embate não é apenas mais uma partida; ele carrega o peso de décadas de confrontos e eliminações que marcaram a trajetória da Amarelinha. Para a atual geração de jogadores e para milhões de torcedores, a quebra desses jejuns representa não só um avanço na competição, mas também um resgate da confiança e da hegemonia do futebol brasileiro no cenário internacional.
O Inédito Desafio Contra a Noruega
A Noruega detém um feito singular no histórico da Seleção Brasileira: é a única equipe, entre todas as que o Brasil já enfrentou, que nunca foi derrotada pela Canarinho. Em quatro partidas disputadas, o retrospecto aponta dois empates e duas vitórias do time nórdico, um dado que adiciona uma camada extra de desafio ao confronto decisivo.
O primeiro encontro ocorreu em 28 de julho de 1988, no Ullevaal Stadion, em Oslo, capital norueguesa, resultando em um empate de 1 a 1. Jan Age Fjortoft abriu o placar para os donos da casa, e Edmar, medalhista de prata nas Olimpíadas de Seul, igualou para o Brasil. Aquela seleção brasileira contava com futuros tetracampeões mundiais como Taffarel, Jorginho e Romário, sob o comando de Carlos Alberto Silva. Curiosamente, a equipe norueguesa da época incluía jogadores cujos filhos hoje brilham no futebol, como Erik Thorstvedt (pai de Kristian Thorstvedt) e Goran Sorloth (pai de Alexander Sorloth).
Em 30 de maio de 1997, novamente no Ullevaal, o Brasil, então invicto há 42 meses e com a dupla Ronaldo e Romário, sofreu uma derrota de 4 a 2 para a Noruega. Petter Rudi, Egil Ostenstad e Tore André Flo, que marcou duas vezes e infernizou a defesa brasileira com sua estatura imponente, foram os algozes. Essa partida também revela conexões com o presente: Alf-Inge Haaland, pai do astro Erling Haaland, estava em campo, e Stale Solbakken, atual treinador da Noruega, era um dos meias.
O terceiro duelo, e o mais doloroso até então, aconteceu na Copa da França de 1998, em Marselha. Pela última rodada da fase de grupos, em 23 de junho, o Brasil de Zagallo abriu o placar com Bebeto, mas sofreu a virada. Flo marcou novamente, e Kjetil Rekdal, de pênalti, selou o 2 a 1. O confronto mais recente foi em 16 de agosto de 2006, em Oslo, terminando em 1 a 1, com gols de Morten Pedersen para a Noruega e Daniel Carvalho para o Brasil, na estreia de Dunga como técnico da Seleção. O lateral brasileiro Douglas Santos expressou a motivação da equipe: “Acho que isso pode servir para como motivação para que a gente possa tirar essa escrita. A gente espera que nesse jogo, que é tão especial para nós, possamos dar o melhor e sairmos felizes e contentes com a vitória”.
O Longo Jejum Contra Europeus em Mata-Mata
Além do tabu norueguês, o Brasil busca encerrar um jejum de cinco Mundiais sem derrotar uma seleção europeia em jogos eliminatórios. A última vitória ocorreu na final da Copa de 2002, contra a Alemanha, em Yokohama, no Japão, com dois gols de Ronaldo que garantiram o pentacampeonato. Desde então, a sequência de eliminações tem sido traumática para o futebol brasileiro.
A série negativa começou em 2006, na Copa da Alemanha. Nas quartas de final, o Brasil reencontrou a França, que havia sido a algoz na final de 1998. Com uma atuação magistral de Zinedine Zidane e um gol de Thierry Henry, os franceses venceram por 1 a 0 em Frankfurt, eliminando os então campeões mundiais, comandados por Carlos Alberto Parreira.
Quatro anos depois, na África do Sul, a Seleção Brasileira enfrentou a Holanda. Após um primeiro tempo promissor, com Robinho colocando o Brasil em vantagem, a equipe de Dunga desmoronou na segunda etapa. A expulsão de Felipe Melo e dois gols de Wesley Sneijder resultaram na virada holandesa de 2 a 1 em Port Elizabeth.
A queda na Copa de 2014 é, sem dúvida, a mais dolorosa na memória recente do futebol brasileiro. Em casa, no Mineirão, em Belo Horizonte, o Brasil foi humilhado pela Alemanha com um placar de 7 a 1 nas semifinais. Gols de Toni Kroos (dois), Sami Khedira, Thomas Müller, Miroslav Klose e André Schürrle (dois) selaram o massacre, enquanto Oscar marcou o gol de honra. Este evento se tornou um marco de dor e reflexão para o esporte nacional.
Em 2018, na Rússia, a primeira Copa da “era Tite” também terminou nas quartas de final, com uma derrota de 2 a 1 para a Bélgica em Cazã. Um gol contra de Fernandinho e um chute potente de Romelu Lukaku complicaram a situação brasileira no primeiro tempo. Apesar do desconto de Renato Augusto na etapa final, a reação foi insuficiente.
A eliminação mais recente ocorreu na Copa anterior, no Catar. Em Doha, Brasil e Croácia empataram em 0 a 0 no tempo normal. Na prorrogação, Neymar colocou a Seleção em vantagem, mas Bruno Petkovic igualou a quatro minutos do fim, levando a decisão para os pênaltis. Na marca da cal, os europeus venceram por 4 a 2, com Marquinhos perdendo a cobrança decisiva, prolongando o calvário brasileiro contra adversários do Velho Continente.
A Pressão e a Esperança de Uma Nova História
A atual Seleção Brasileira, ciente do peso histórico desses confrontos, busca reescrever sua narrativa. O atacante Matheus Cunha resumiu o sentimento da equipe: “Temos até certas conversas sobre o momento exato da eliminação porque muitos dos nossos jogadores passaram por isso, mas é muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou a escola de onde ele vem, no caso a europeia. Para ganhar a Copa do Mundo, temos de passar por essas dificuldades. Que agora seja diferente e possamos contar uma outra história”.
A partida contra a Noruega é uma oportunidade de ouro para a equipe não apenas avançar na competição, mas também de quebrar barreiras psicológicas que se acumularam ao longo dos anos. Uma vitória representaria um impulso significativo na confiança do time e da torcida, mostrando que a Seleção está pronta para enfrentar e superar os maiores desafios em sua jornada rumo ao hexacampeonato. O Brasil precisa de um resultado positivo para continuar sonhando alto e apagar de vez as lembranças amargas do passado.
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