O jornalismo brasileiro perdeu uma de suas vozes mais marcantes em 12 de março de 2016, com o falecimento de Berto Filho. Aos 75 anos, o icônico âncora, conhecido por sua passagem por diversos telejornais da TV Globo nas décadas de 1970 e 1980, encerrou uma longa batalha contra o câncer, que culminou em uma metástase cerebral. Sua partida, um dia antes de completar 76 anos, deixou uma lacuna no cenário da comunicação nacional e reacendeu a memória de uma era de ouro da televisão.
Berto Filho foi um rosto e uma voz familiar para milhões de brasileiros, apresentando programas de grande audiência como o Fantástico, Jornal Nacional e, em diversas edições, o Jornal Hoje. Sua trajetória profissional é um testemunho de dedicação e talento, que o consolidou como uma figura respeitada e admirada tanto por colegas quanto pelo público.
A Trajetória Brilhante de um Comunicador Versátil
A carreira de Berto Filho foi sinônimo de versatilidade e presença marcante na televisão. Nas décadas de 1970 e 1980, ele se tornou um dos pilares do jornalismo da Rede Globo, comandando telejornais que moldaram a forma como o Brasil recebia suas notícias. Além do Jornal Nacional e Fantástico, ele esteve à frente do RJTV, Painel e outros projetos do Jornalismo Eletrônico.
Sua voz grave e entonação precisa eram características inconfundíveis, que o tornaram um dos principais comunicadores da emissora até 1986. Após sua saída da Globo, Berto Filho continuou ativo, levando seu profissionalismo para outras casas, como a TV Rio em 1989, onde apresentava o programa de entrevistas Política Nacional.
Desafios e Retornos: A Carreira Pós-Globo
A década de 1990 marcou novos capítulos na vida profissional de Berto Filho. Em 1998, ele foi contratado pela Rede Manchete, onde apresentou o Manchete Primeira Mão e, posteriormente, o Jornal da Manchete. Sua dedicação à emissora foi tamanha que ele permaneceu até o seu fim, acompanhando a transição para a fase da TV!.
Esses períodos de mudança não foram isentos de desafios. Em agosto de 2013, o jornalista obteve na Justiça o pagamento de créditos trabalhistas, resultantes de salários não recebidos durante a transição da Rede Manchete para a RedeTV!. Esse episódio ressalta as complexidades e incertezas que muitos profissionais enfrentam no dinâmico mercado de trabalho televisivo.
Um notável retorno à TV Globo ocorreu em 2004, quando Berto Filho assumiu a locução das matérias do Fantástico, substituindo Celso Freitas. Sua escolha foi estratégica, dada a semelhança de sua voz e entonação com as de Cid Moreira, outro ícone da locução. Ele permaneceu na função até 2008, quando seu contrato não foi renovado, encerrando mais um ciclo em sua longa e respeitada carreira.
A Luta Contra a Doença e a Despedida Final
A batalha de Berto Filho contra o câncer durou dois anos, começando com um tumor na garganta que, infelizmente, evoluiu para uma metástase no cérebro. Ele estava internado no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde recebia tratamento.
Segundo relatos de seu filho ao G1, o jornalista teve momentos de melhora significativa durante o tratamento, chegando a recuperar a voz e a fazer planos. “Um paizão. Meu melhor amigo. Ele chegou a fazer radioterapia e uma quimioterapia mais leve. De repente, melhorou absurdamente. De um dia para o outro começou a falar. Voltou a voz, voltaram os planos. Ficou quase um ano bom. Depois, teve uma recaída e voltou para o Inca para acompanhamento”, relembrou o filho.
Nos meses que antecederam sua morte, Berto Filho morava no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, para onde se mudou em janeiro de 2016 após a perda de sua esposa. Ele faleceu dormindo, por volta das 13h, e foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, deixando uma legião de fãs e colegas que o admiravam.
Legado e Homenagens de um Ícone do Jornalismo
A notícia do falecimento de Berto Filho gerou uma onda de homenagens de jornalistas, colegas de profissão e do público em geral. A TV Globo, emissora onde ele construiu grande parte de sua carreira, divulgou uma nota de pesar, reconhecendo sua contribuição inestimável para o jornalismo televisivo. A memória de sua voz e presença continua viva para aqueles que acompanharam sua trajetória.
A história de Berto Filho é um lembrete da importância dos comunicadores que, com talento e dedicação, informam e conectam o público. Sua partida marcou o fim de uma era, mas seu legado permanece como inspiração para as novas gerações de jornalistas.
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