A nova pesquisa BTG/Nexus trouxe uma surpresa importante neste último dia de agosto: Augusto Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto.
É um crescimento de nove pontos em apenas uma semana e, por isso, o número merece atenção.
Enquanto Cury cresceu, Flávio Bolsonaro caiu quatro pontos, Lula recuou dois e Romeu Zema também perdeu dois pontos. A pesquisa não permite afirmar que esses votos foram diretamente para Cury, mas mostra que houve uma movimentação importante no eleitorado.
E talvez o ponto principal esteja justamente aí.
Cury tem um jeito diferente de se apresentar. Fala baixo, evita brigas, busca um tom mais moderado e tenta transmitir equilíbrio e serenidade.
Depois de anos de muita polarização, ataques e confrontos, pode existir uma parcela do eleitorado cansada dessa forma de fazer política.
Isso não significa que Cury já tenha uma candidatura consolidada. Muito pelo contrário.
Nos debates e também em sua entrevista ao Jornal Nacional, ainda ficou evidente que ele precisa apresentar propostas mais concretas. Falar em equilíbrio, saúde emocional e pacificação é importante, mas uma eleição presidencial também exige respostas claras sobre economia, segurança, saúde, educação e geração de empregos.
Esse será o grande teste daqui para frente.
Até agora, Augusto Cury podia crescer como novidade. Com 11%, passa a ser observado de outra forma. Vai receber mais críticas, mais perguntas e mais pressão dos adversários.
Uma coisa é chamar atenção pelo estilo.
Outra é convencer o eleitor de que existe um projeto de governo por trás desse estilo.
Mas o crescimento de Cury deixa um recado importante para todos os candidatos: existe espaço para uma política menos agressiva e mais equilibrada.
Talvez parte do eleitor brasileiro esteja simplesmente cansada de tanta briga.
E, nesta eleição, quem conseguir falar com esse eleitor pode acabar surpreendendo.




