Antonio Vitor – Um artista plástico da Zona Leste

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Muitos moradores de Itaquera, Parada XV ou Guaianases, não devem saber, mas o bairro teve um artista plástico que marcou a sua história e por grande parte da sua vida morou nesta região da capital.
Antonio Vitor
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Como artista plástico, Antonio Vitor dominou as várias linguagens e usando as mais variadas técnicas ganhou reconhecimento pelo seu trabalho, suas obras estão presentes em importantes acervos de instituições de arte, como a Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte Contemporanêa da USP. Museu de Arte Brasileira da Fundação Alvares Penteado- FAAP, MAC: Museu de Arte de Santa Catarina, entre outros. Teve suas obras expostas em importantes galerias de São Paulo e ainda em instituições internacionais como a Fundação Juan Miró, na Espanha. Mesmo formado pela tradicional Faculdade de Belas Artes, era um homem simples, sempre levando a humildade e o bom trato com os semelhantes como objetivos de vida.

Antonio Vitor

Ele partiu em 2011, mas a sua obra continua viva e apreciada por milhares de pessoas. Corinthiano fanático, umas de suas obras mais emblemáticas é a Ceia dos Gaviões e, como grande apaixonado pela região chegou até jogar em times como Santa Cruz de Guaianazes e Elite Itaquerense.

Além do desenho e pintura, também foi gravador e realizou esculturas em cerâmica, no final da vida dedicou-se à música e à escrita de contos e poesia. Grande parte do seu acervo está no Instituto Casa Antonio Vitor, fundado em 2020 e mantido pela irmã, Nilza Ruth da Silva, professora de Artes aposentada. Periodicamente ela recebe para visitas monitoradas alunos da rede de ensino. Ela tem buscado apoio para ampliar o número de visitas e dividir toda a história do artista com jovens e apreciadores das artes em geral.

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Em entrevista a Folha de São Paulo a professora Nilza resume que Antonio Vitor “sempre teve a sua obra ligada a classe proletária. Ele fez uma opção de classe e nunca deixou de abordar em suas obras a periferia de um moto geral”.

E de fato Antonio Vitor, em suas obras, procurou abordar o ser humano, suas agruras, suas esperanças, bem como imagens das periferias como viadutos, logradouros em geral e até ligações clandestinas de energia elétrica, os chamados “gatos”.

Antes de partir ele pediu a irmã que a sua obra fosse divulgada entre as crianças e jovens., aliás o talento de Antonio Vitor foi descoberto, quando começou a ser alfabetizado, por uma professora, que o presenteou com um caderno de desenhos.

Sempre abordou a figura humana, aplicando as mais diversas técnicas, além da “atmosfera” onde viveu, como as olarias, que produziam os tijolos que edificaram grande parte do extremo leste.

O acervo se encontra em ambiente climatizado e ainda conta com uma biblioteca com milhares de títulos.

Agora a luta da professora Nilza, com apoio de um grupo de intelectuais itaquerenses, é manter o espaço, ampliar o número de visitas e buscar financiamento através dos editais que preveem incentivos para manifestações artísticas e culturais, a aquisição de um necessário arquivo museológico para a guarda dos seus desenhos e o necessário trabalho de restauro a ser realizado em suas pinturas.

 

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