A responsabilidade individual

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São Paulo, a cidade em que vivemos, padece de uma série de problemas, e todo cidadão pode e deve fazer um pouco para melhorar as coisas
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Com mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo é a maior cidade brasileira e, ano após ano, é cada vez maior a preocupação das pessoas com questões relacionadas com saúde, educação, segurança e limpeza urbana. Determinados problemas costumam ser em maior ou menor grau de acordo com a região e bairro, mas, forma geral, eles estão espalhados em toda a capital paulista.

É inquestionável que a solução da maior parte desses problemas passa, obrigatoriamente, pelas mãos do Poder Público. Mas, diferentemente do que muitas pessoas imaginam, cada cidadão que mora em São Paulo também tem uma parcela de responsabilidade e pode contribuir para melhorar um pouco a situação. Ou então, não deixar que ela piore ainda mais.

É o caso, por exemplo, das críticas ao trânsito, enchentes e limpeza urbana. Se todo mundo contribuir um pouco e adotar uma postura responsável e solidária, os impactos desses problemas para a cidade em geral tendem a ser menos intensos.

No caso do trânsito, por exemplo, é certo que faltam ruas e avenidas para o gigantesco e sempre crescente número de veículos que circula na cidade, mas pesa aí um fato. Um número considerável de carros transporta uma única pessoa – o motorista. Se houver interesse de fato por parte das pessoas em oferecer carona para vizinhos que trabalham no mesmo bairro e também vão de carro; ou de uma única mãe ou pai levar além do próprio filho os colegas que estudam na mesma escola pela manhã, um número significativo de veículos deixará de circular nos horários mais críticos. O mais lógico, nesses casos, é que seja feito um rodízio, definindo um “motorista da vez” para dias específicos.

Quando se trata de enchentes, o mais comum é a população culpar São Pedro pelas chuvas torrenciais, mas muita gente esquece que a água não consegue escoar por diversos fatores. O primeiro é que a cidade de São Paulo tem a maior parte de sua área “impermeabilizada” e, sem terrenos que garantam a absorção da água das chuvas pelo solo, a tendência é que ela se acumule nos locais mais baixos. Aliado a esse problema, o sistema de esgotos em muitas ocasiões não dá conta de transportar a água, pois está entupido com o lixo que algumas pessoas simplesmente jogam na rua, sem a menor cerimônia. Outro problema é o lixo jogado em leitos de rios e córregos, pois, repletos de sujeira e sedimentos, esses corpos d’água não dão conta de escoar adequadamente o aumento de volume com as chuvas e transbordam.

Nesses casos, por mais que o governo invista em limpeza de bueiros e aprofundamento dos rios, isso de quase nada adianta se as pessoas  continuarem a jogar lixo pela janela do carro ou de casa,  ou então achando que rios e córregos podem receber todo e qualquer tipo de sujeira.

Situação bem parecida pode ser observada quando avaliamos a limpeza urbana. A despeito de os caminhões da coleta domiciliar recolherem os sacos de lixo diariamente, o que se vê é muito lixo espalhado em via pública logo após o serviço ser realizado. Embora existam lixeiras espalhadas em diversas ruas, bem como contêineres nos locais onde caminhões não podem circular e assim os moradores de comunidades carentes possam levar os sacos de lixo, não raramente esses equipamentos são depredados ou utilizados de forma indevida.

Mas essa é apenas uma ponta do problema. Se avaliarmos com atenção, perceberemos que ano após ano a população tem gerado mais lixo. A quantidade de embalagens para guardar produtos de limpeza, alimentos, eletrodomésticos, enfim, tudo, aumentou de maneira expressiva. Isso sem contar o consumo exagerado, onde muitas pessoas trocam um determinado produto por outro com pouco tempo de uso e, em muitos casos, sem real necessidade. Trata-se de consumismo exagerado.

Precisamos avaliar se tudo o que consumimos é realmente necessário. Até alguns anos atrás, muitas pessoas encontravam utilidade em uma embalagem de vidro que originalmente tinha azeitonas, por exemplo. Há quem o transformasse em vaso, ou então em um pote para guardar algum tempero, sal ou açúcar. Hoje, esse mesmo pote é jogado no lixo.

O mundo que vivemos não é apenas para nós. É também para nossos filhos, netos e filhos de nossos netos. Se não cuidarmos dele, quem cuidará?

 

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