O lixo e o mar

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Aproximadamente 25 milhões de toneladas de resíduos urbanos chegam aos oceanos todos os anos, mas 80% desse total foram descartados de forma inadequada em cidades distante do litoral. Esse dado prova que a limpeza urbana e a gestão de resíduos conduzidas de forma correta são imprescindíveis para o bem-estar efetivo da população.
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Os problemas relacionados com o descarte inadequado de resíduos sólidos urbanos vão muito além do que acontece em terra firme. De acordo com uma série de pesquisas e estudos científicos conduzidos e/ou patrocinados por diferentes organizações internacionais, como por exemplo a ONU, aproximadamente 25 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos vão parar nos oceanos todos os anos. Tão surpreendente quanto esse número, no entanto, é a constatação de que mais de 80% de todos os materiais que chegam aos mares foram gerados em terra firme, em cidades distantes da área costeira. Outro dado preocupante é que produtos feitos de plásticos, como garrafas e sacolas; além de itens de uso único, como pratos e copos descartáveis, representam perto de 80% das 25 milhões de toneladas de resíduos descartadas em locais distantes do litoral e que chegam aos oceanos.

Independentemente do país, o trajeto percorrido por esses materiais até os mares decorre principalmente do descarte inadequado, pois uma parcela expressiva da população ainda tem o péssimo de hábito de, sem qualquer constrangimento, jogar nas vias públicas o que bem entendem, desde uma bituca de cigarro e garrafas de água até objetos maiores, como pneus e móveis quebrados.

E há, ainda, os casos de pessoas que colocam o saco de lixo na calçada em dias que o caminhão da coleta não passa no local. Os sacos que ficam expostos em vias públicas podem ser rasgados por animais em busca de comida, ou mesmo por pessoas em situação de vulnerabilidade, que procuram algo que possa ser vendido. O resultado é que parte do material espalhado nas ruas e calçadas tende a ir para redes de esgoto, cursos d’água, terrenos baldios etc.

Geralmente, os impactos desse tipo de situação são facilmente identificados em períodos de chuvas intensas, com o agravamento de enchentes e inundações, quando sacos de lixo e materiais diversos são vistos boiando. Quando chegam em córregos, riachos e rios, os resíduos vão seguir o fluxo natural da correnteza e desembocar no mar.

As situações descritas anteriormente ocorrem em maior ou menor grau dependendo da região, mas, infelizmente, elas são observadas em todas as partes do mundo.

No Brasil, há algumas iniciativas conduzidas pela municipalidade em parceria com operadoras de limpeza pública para reduzir e, se possível, evitar que resíduos gerados em ambientes urbanos sejam levados para os mares. Em São Paulo, por exemplo, há alguns anos a prefeitura desenvolve ações específicas entre os meses de novembro e março, período em que são registradas as “chuvas de verão”, caracterizadas por índices pluviométricos elevados.

Nas zonas sul e leste da cidade, todos os anos a Ecourbis elabora em conjunto com as empresas responsáveis pela varrição um plano de trabalho, indicando uma série de ações programadas para quando houver a previsão de chuvas intensas, com risco de enchentes e inundações. Esse plano de trabalho é aprovado pela prefeitura. No caso da Ecourbis, um dos cuidados adotados é antecipar a coleta domiciliar quando há a previsão de chuvas fortes em locais sujeitos a alagamentos.

Mas todos os cidadãos também podem contribuir, de diversas maneiras. A principal, sem dúvida, é colocar os sacos de lixo na calçada apenas nos dias em que o caminhão da coleta passa no local, no máximo duas horas antes do horário que o serviço é prestado. Para checar os dias e horários em que a coleta é realizada em seu endereço, basta consultar o site www.ecourbis.com.br. Outra forma de contribuir para que a cidade tenha menos problemas, especialmente no período chuvoso, e também ser solidário com outras pessoas, é buscar o saco de lixo que foi deixado na calçada caso perceba que uma tempestade está se aproximando e o caminhão da coleta ainda não passou.

Se todo mundo der uma mãozinha, o nosso bairro e a nossa cidade podem ser ainda melhores.

 

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