Há um cartão-postal que chama a atenção de diversos visitantes e moradores da Baixada Santista. Quem passa por lá vê oito tubos centrais externos que dividem a Serra do Mar, do alto até a parte baixa, compondo uma paisagem marcante na região.
Alvo de bombardeios durante a Revolução Constitucionalista de 1932, essas tubulações ajudaram a alavancar o desenvolvimento industrial do estado de São Paulo. Trata-se do Complexo Henry Borden, composto por duas usinas hidrelétricas na região de Cubatão (SP), que completou 100 anos.
Além disso, para celebrar sua importância histórica, foi inaugurado o Espaço Cultural Henry Borden, destinado a preservar e valorizar a memória e o legado do local para as futuras gerações e pesquisadores.
Privatização recente e administração atual
O complexo é administrado pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), privatizada em 2024 e arrematada por R$ 1,04 bilhão pelo Fundo Phoenix de Investimentos em Participações Multiestratégia durante leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Até 1970, o sistema era considerado a maior usina hidrelétrica em potência instalada do Hemisfério Sul. Atualmente, o complexo preserva sua relevância estratégica e está integrado ao sistema nacional de energia.
Considerado um marco da engenharia hidrelétrica no início do século passado, o modelo de aproveitamento de relevo de alta queda acabou sendo superado, posteriormente, por projetos de menor impacto ao meio ambiente.
Potência e estrutura impressionantes
Fundado em 1926, o complexo possui capacidade instalada de 889 megawatts (MW). A energia gerada é suficiente para abastecer uma cidade com 2 milhões de imóveis, considerando residências, indústrias e comércios.
A estrutura conta com 14 grupos geradores de energia: 8 na usina externa, capazes de gerar até 469 MW, e 6 na usina subterrânea, com capacidade para 420 MW, totalizando os 889 MW do complexo.
Vistas por quem passa pela região, as adutoras costumam ser confundidas com tubulações de combustível. No entanto, elas são responsáveis por transportar a água do Reservatório Billings até as turbinas.
Outro destaque é a altura da queda d’água, que coloca a Henry Borden entre as dez maiores usinas do mundo nesse tipo de modelo: são 720 metros de desnível entre o reservatório, no alto da serra, e a casa de força, na parte baixa.
Ataque durante a Revolução de 1932
O Complexo Henry Borden foi bombardeado em 28 de julho durante a Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento armado paulista buscava derrubar o Governo Provisório de Getúlio Vargas e exigir a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil.
Na ocasião, hidroaviões das forças federais lançaram duas bombas na região de Cubatão, e uma delas atingiu a sala de controle da usina, perfurando o teto e estilhaçando as janelas.
O objetivo da ação era interromper o fornecimento de energia e paralizar as fábricas que abrigavam as tropas paulistas na fabricação de material bélico contra o governo. Apesar do impacto, ninguém ficou ferido.
Reserva estratégica para o sistema elétrico nacional
Desde o início de suas operações, as usinas forneciam energia para toda a Baixada Santista e a região Sudeste do estado. Hoje, contudo, o complexo não opera continuamente em sua capacidade máxima.
A Henry Borden atua como reserva estratégica do Sistema Interligado Nacional (SIN), ao qual todos os geradores de energia do país estão conectados, garantindo estabilidade em momentos de pico.
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