A fiscalização de crimes contra a fauna ganhou reforço no litoral paulista após uma operação conjunta da Polícia Militar Ambiental resultar na recuperação de dezenas de animais mantidos em cativeiro de forma irregular. A ação, realizada nesta terça-feira (27), mobilizou equipes especializadas em bairros do município de São Sebastião, culminando em multas pesadas e na condução de suspeitos à delegacia para prestar esclarecimentos sobre a posse ilegal dos animais.
Ação da polícia militar ambiental em áreas urbanas
A ofensiva foi executada por policiais do Grupo Especial de Patrulhamento Ambiental em Áreas de Risco (Gepaar), vinculado ao 3º Batalhão de Polícia Militar Ambiental. Os agentes concentraram os esforços fiscalizatórios nas regiões da Topolândia e do Itatinga, locais mapeados pelo setor de inteligência da corporação devido ao histórico de denúncias de aprisionamento de espécimes da fauna nativa brasileira.
Durante as vistorias nas residências, os policiais constataram que dezenas de pássaros estavam confinados sem qualquer tipo de documentação legal emitida pelos órgãos competentes. A soma total das autuações aplicadas aos infratores ultrapassou a marca de R$ 141,5 mil, refletindo a gravidade das infrações ambientais constatadas pelas equipes durante as diligências em campo.
Condições degradantes e indícios de maus-tratos
O cenário mais alarmante foi descoberto em um imóvel situado na Topolândia, onde os policiais depararam-se com 27 aves distribuídas por diversos cômodos da moradia. Entre as espécies resgatadas no local estavam exemplares de coleirinhos, baianos e trinca-ferros, mantidos em condições precárias que configuravam crime de maus-tratos contra os animais silvestres.
As investigações preliminares apontaram que algumas gaiolas permaneciam encobertas por panos, bloqueando a circulação de ar e a entrada de luz natural. O acúmulo expressivo de fezes e restos de comida deteriorada no fundo dos viveiros motivou a aplicação de sanções severas, totalizando R$ 126 mil apenas neste endereço, divididos entre multas por crueldade e pela manutenção irregular em cativeiro.
Fiscalização no Itatinga e destino dos animais
Simultaneamente, outras duas vistorias conduzidas no bairro Itatinga permitiram a localização de mais 31 aves em situação irregular. O lote resgatado nessa segunda etapa incluiu coleirinhos, canários-da-terra, sabiás-laranjeira, um exemplar de papagaio e um azulão, cujos tutores não possuíam autorização do Ibama ou de órgãos estaduais equivalentes para a criação amadorista ou comercial.
Embora esses espécimes não apresentassem ferimentos aparentes ou sinais críticos de debilitação física, a ausência de anilhas de identificação e licenças obrigatórias gerou autos de infração que somaram R$ 15,5 mil. Todas as gaiolas apreendidas durante a operação policial foram imediatamente destruídas e descartadas para impedir a reutilização na prática ilegal.
Encaminhamento ao centro de triagem
Após o resgate, os 58 pássaros foram transportados com segurança para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) localizado no município de Registro. No local, equipes de veterinários e biólogos realizarão exames clínicos detalhados para avaliar o estado de saúde de cada espécime e planejar a reabilitação necessária visando à futura soltura em seu habitat natural.
A corporação reforça que o combate ao tráfico e à manutenção clandestina de fauna silvestre depende fundamentalmente da participação da sociedade por meio de denúncias anônimas. Informações sobre cativeiros ilegais podem ser repassadas à polícia pelo telefone 181, enquanto situações de emergência ambiental devem ser comunicadas imediatamente pelo número 190.
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