Adolescentes de Curitiba desenvolvem robô trilíngue offline que resgata a história local

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Estudantes de Curitiba criam robô que fala três idiomas e funciona sem internet para contar a história cultural da cidade.
Adolescentes de Curitiba desenvolvem robô trilíngue offline que resgata a história local
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Um robô interativo capaz de responder em três línguas sem exigir conexão com a internet tem chamado a atenção de educadores e especialistas em tecnologia. Desenvolvido por quatro estudantes com idades entre 15 e 16 anos em Curitiba, o projeto batizado de Mascate conquistou o segundo lugar na etapa brasileira da World Robot Olympiad de 2026. A proposta do equipamento é apresentar histórias de diferentes grupos culturais que formaram a identidade da capital paranaense.

A iniciativa saiu dos muros escolares e foi apresentada formalmente à equipe municipal de turismo em 23 de outubro. Com uma estrutura fabricada por impressão 3D e conteúdo pré-programado, o dispositivo busca solucionar um problema prático comum em espaços públicos: a dificuldade de acesso à rede para turistas e visitantes que desejam conhecer mais sobre o patrimônio local.

Inovação tecnológica e resgate cultural em Curitiba

O desenvolvimento do Mascate ficou a cargo dos alunos Gabriel Fernandes Steyer, Arthur Munaretto Fonseca, Rafael Lemos de Almeida Grabowski e Gabrielle Sehn, matriculados no Colégio Positivo Internacional. A proposta nasceu da necessidade de criar uma interface acessível e intuitiva, que pudesse ser instalada em praças, parques e locais de grande circulação para aproximar o público da história da cidade.

Curitiba possui marcos e espaços públicos fortemente influenciados por comunidades de imigrantes e outras etnias. Para valorizar essa pluralidade, os jovens estruturaram o robô para operar em português, inglês e espanhol, ampliando o alcance para turistas estrangeiros. Cada idioma conta com dezenas de respostas específicas divididas entre oito grupos culturais selecionados pela equipe.

Funcionamento autônomo sem dependência de rede

Um dos maiores diferenciais técnicos do projeto é a capacidade de operar inteiramente offline. Os estudantes armazenaram toda a base de dados diretamente no dispositivo, o que elimina a necessidade de roteadores Wi-Fi ou redes de dados móveis. Essa escolha de engenharia garante que o equipamento funcione de maneira estável em qualquer ambiente aberto, independentemente da infraestrutura de telecomunicações do local.

A biblioteca interna do robô contempla dados sobre poloneses, ucranianos, japoneses, italianos, portugueses, africanos, alemães e povos originários. Embora o sistema dependa de um conjunto pré-determinado de perguntas e respostas para manter a fluidez, a autonomia técnica representa um avanço importante para soluções de tecnologia cívica e turismo inteligente.

Reconhecimento nacional e diálogos com o poder público

O desempenho do projeto na World Robot Olympiad Brasil 2026, competição realizada na cidade de Joinville, em Santa Catarina, validou a qualidade técnica e a relevância social da invenção. Estar entre os melhores do país exigiu da equipe não apenas competência em programação e robótica, mas também clareza na comunicação sobre o impacto prático da ferramenta.

A reunião com gestores de turismo da Prefeitura de Curitiba abriu espaço para debater a viabilidade de testes futuros em áreas públicas e equipamentos culturais do município. Embora ainda esteja em fase de protótipo e não haja contratos de instalação definitiva, o diálogo demonstra o interesse do poder público em soluções desenvolvidas por jovens talentos locais.

Desafios e próximos passos para o projeto

A transição de um protótipo escolar para um serviço cotidiano em parques e praças envolve uma série de testes operacionais rigorosos. Entre os pontos que exigem atenção estão a resistência do hardware às condições climáticas, a clareza do áudio em ambientes abertos e a validação constante das informações históricas junto a pesquisadores e representantes das comunidades homenageadas.

A experiência vivida pelos quatro estudantes evidencia o potencial da educação patrimonial aliada à engenharia prática. Mais do que construir uma máquina funcional, o grupo levantou debates sobre como a tecnologia pode servir para aproximar cidadãos e visitantes das narrativas que moldaram as cidades brasileiras.

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