O estado de São Paulo completa, em 2026, o marco expressivo de 38 anos sem registrar nenhum caso de poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. Esta conquista histórica é fruto direto de décadas de campanhas sistemáticas de vacinação e do fortalecimento da rede pública de saúde. No entanto, autoridades sanitárias alertam que o cenário global exige atenção permanente para impedir a reintrodução do vírus em território paulista, visto que a enfermidade ainda circula em outros países.
A eliminação da doença no Brasil começou a se desenhar de forma consistente a partir de 1980, ano em que o estado paulista contabilizou 101 ocorrências. Com o avanço rápido das estratégias de imunização, esse número despencou para sete no ano seguinte, representando uma queda drástica de 93%. O último caso autóctone em solo paulista foi confirmado em 1988, no município de Teodoro Sampaio, localizado na região de Presidente Prudente.
Histórico da erradicação nas américas e o cenário internacional
Em âmbito nacional, o derradeiro registro da infecção ocorreu em 1989. Poucos anos depois, em 1994, o continente americano alcançou uma certificação internacional inédita, tornando-se a primeira região do planeta a ser declarada livre da transmissão nativa do poliovírus selvagem pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Apesar desses avanços incontestáveis, a erradicação global ainda não foi totalmente alcançada. O poliovírus selvagem continua ativo e em circulação em nações como o Afeganistão e o Paquistão. Além disso, surtos esporádicos associados a variantes do vírus persistem em diferentes partes do mundo, representando uma ameaça latente para locais que apresentam quedas nos índices de cobertura vacinal.
Desafios na cobertura vacinal e mudanças no calendário
Atualmente, um dos principais pontos de preocupação para os especialistas em saúde pública é o fato de que a cobertura contra a poliomielite em São Paulo ainda se encontra abaixo da meta ideal de 95% estipulada pelo Programa Nacional de Imunizações. Balanços preliminares divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde apontam índices de imunização que exigem mobilização constante das equipes municipais para alcançar as crianças que ainda não receberam todas as doses necessárias.
Para otimizar a proteção infantil, o calendário oficial passou a incorporar uma segunda dose de reforço da vacina inativada, administrada aos 4 anos de idade. Essa medida consolida a transição para o esquema exclusivamente injetável, que substituiu definitivamente as tradicionais gotinhas orais. O esquema completo de proteção compreende cinco aplicações disponíveis de forma totalmente gratuita nas Unidades Básicas de Saúde espalhadas pelos municípios paulistas.
Vigilância epidemiológica rigorosa e prevenção contínua
Mesmo sem o registro de ocorrências há quase quatro décadas, a estrutura sanitária do estado mantém uma rede ativa de monitoramento. O trabalho é conduzido por meio do Programa de Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas, ferramenta essencial para detectar e investigar de maneira precoce qualquer suspeita clínica que possa estar relacionada ao vírus.
O protocolo estabelece que qualquer sinal de paralisia súbita em menores de 15 anos deve ser imediatamente notificado e investigado pelas equipes médicas. As ações preventivas são complementadas por iniciativas educacionais do governo estadual, como portais informativos voltados para esclarecer dúvidas da população sobre a segurança e a importância de manter a caderneta de vacinação rigorosamente atualizada.
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