Estudo aponta impacto positivo de três décadas do BPC na saúde pública

PUBLICIDADE
Estudo aponta que o BPC evitou 571 mil mortes e milhões de internações pelo SUS em 30 anos de atuação no Brasil.
Estudo aponta impacto positivo de três décadas do BPC na saúde pública
PUBLICIDADE

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) desempenhou um papel fundamental na preservação da saúde e da vida da população brasileira ao longo de suas três décadas de existência. É o que aponta um levantamento internacional que avaliou os reflexos econômicos e sociais do auxílio pago pelo governo federal a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.

De acordo com os dados analisados, o programa evitou 571 mil mortes e 13 milhões de internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no período. A pesquisa do Instituto de Saúde Global de Barcelona destaca que a iniciativa vai muito além da assistência financeira imediata, funcionando como um mecanismo estrutural de proteção sanitária.

Metodologia e repercussão científica

O estudo foi divulgado em versão preliminar, sem revisão de pares, e conta com a assinatura de 13 cientistas. A primeira autoria é de Daniella Medeiros Cavalcanti, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Os pesquisadores cruzaram dados históricos de cobertura do programa com indicadores de saúde pública. Os resultados indicam que cada ponto percentual de aumento na cobertura do BPC reduziu em 2,9% as internações hospitalares, em 0,6% as mortes e em 3,9% os anos de vida saudável perdidos.

Retorno econômico e eficiência fiscal

Além dos ganhos sociais inegáveis para os beneficiários, a pesquisa também dimensionou o impacto financeiro para os cofres públicos. Segundo o levantamento, a eficiência da política social gera economia direta para o Estado devido à desoneração do sistema de saúde.

Os cálculos apontam que cada R$ 1 investido no BPC fez o governo deixar de gastar R$ 3,81 em procedimentos de alta complexidade e tratamentos de emergência no SUS. A garantia de renda mínima permite acesso básico à alimentação, medicamentos e condições de habitação que evitam o agravamento de patologias na velhice.

Reflexos diretos na primeira infância

A proteção conferida pela transferência de renda atinge também o núcleo familiar dos beneficiários de forma ampla. A pesquisa identificou uma redução de 5% na mortalidade de crianças de 0 a 4 anos a cada ponto percentual de aumento na proporção de beneficiários.

Esse efeito colateral positivo ocorre porque os idosos frequentemente atuam como cuidadores principais dos netos e crianças pequenas em domicílios de baixa renda. A distribuição dos recursos dentro da mesma unidade familiar melhora a segurança alimentar e as condições gerais de desenvolvimento infantil.

Histórico e critérios do auxílio

Instituído oficialmente em 1996, o Benefício de Prestação Continuada consolidou-se como um dos maiores programas de pensão social não contributiva da América Latina. Atualmente, cerca de 6,6 milhões de pessoas recebem o valor mensal de um salário mínimo, conforme registros do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Para ter acesso ao direito, o cidadão deve comprovar idade igual ou superior a 65 anos ou apresentar deficiência de qualquer natureza, além de possuir renda familiar per capita inferior a um quarto de salário mínimo. Como o programa não exige contribuição prévia ao INSS, ele atua como a última rede de segurança contra a extrema pobreza no país.

Continue acompanhando o Fato Paulista para se manter informado sobre as principais análises, políticas públicas e acontecimentos que impactam a sociedade brasileira com apuração rigorosa e contexto jornalístico.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário