A expansão da malha metroviária paulista ganhou um novo marco operacional com o início das escavações da tuneladora Hebe Camargo, o maior equipamento do tipo já utilizado em obras de metrô na América Latina. A máquina, batizada por meio de votação popular em homenagem à inesquecível apresentadora de TV, começou a abrir os túneis que vão estender a Linha 2-Verde em direção a Guarulhos, prometendo transformar a mobilidade urbana de milhares de passageiros que cruzam a região metropolitana diariamente.
Com dimensões impressionantes, o equipamento conta com 133 metros de comprimento, pesa aproximadamente 2,6 mil toneladas e apresenta uma roda de corte com 11,67 metros de diâmetro. Sob a coordenação do Governo do Estado de São Paulo, a supermáquina tem a missão de abrir cerca de 5,8 quilômetros de túneis subterrâneos, conectando a estação Penha até a região da rodovia Presidente Dutra.
Tecnologia de ponta e engenharia subterrânea
O funcionamento do chamado tatuzão exige precisão cirúrgica da engenharia civil. A máquina utiliza a tecnologia TBM Dual Mode, que possibilita a perfuração tanto em solos moles quanto em terrenos rochosos, adaptando-se às complexidades geológicas do subsolo paulistano. Nos primeiros metros, a operação demanda um monitoramento geotécnico rigoroso, uma vez que o arranque ocorre de maneira despressurizada antes de o sistema estabilizar o maciço rochoso e o solo ao redor.
À medida que avança a uma média prevista de 12 metros por dia, a estrutura traseira do equipamento instala milhares de aduelas de concreto pré-moldado. No total, serão colocadas 3.867 peças estruturais para revestir e dar sustentação definitiva às galerias subterrâneas. A grandiosidade da obra reflete-se no volume de terra e rocha que será retirado até a conclusão do trecho programado.
Volume de material escavado e logística da obra
A projeção técnica indica que serão removidos cerca de 620 mil metros cúbicos de material durante a escavação entre a Penha e o VSE Castelo Branco. Esse montante impressionante de terra equivale à capacidade de aproximadamente 248 piscinas olímpicas padrão, exigindo uma complexa operação logística de transporte e descarte para evitar impactos severos no trânsito de superfície.
Todo o material removido pela face de corte é direcionado para o sistema interno de esteiras e transportado por uma estrutura conhecida como parafuso sem fim. Esse mecanismo regula a saída dos detritos do subsolo para a superfície, permitindo que a operação de escavação ocorra de forma contínua e segura para os operadores abrigados na cabine de comando.
Atuação conjunta na expansão do transporte
A operação da tuneladora Hebe Camargo não ocorre isoladamente no plano de expansão metroviária. O equipamento atua em paralelo com a máquina Cora Coralina, que já realiza a abertura de túneis em outro segmento estratégico da mesma linha, compreendido entre a Vila Prudente e a Penha.
Com duas frentes de escavação mecânica pesada operando simultaneamente em eixos distintos, o projeto ganha ritmo acelerado. A iniciativa visa desafogar corredores viários importantes e reduzir o tempo de deslocamento da população que depende do transporte público na zona leste e nos municípios vizinhos.
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